General da ditadura argentina é condenado à prisão perpétua

Ex-repressor é acusado de assassinar quatro militantes políticos em 1977; outros sete ex-militares serão presos

AP e Efe,

24 de julho de 2008 | 19h36

Um tribunal argentino condenou à prisão perpétua o general aposentado Luciano Benjamín Menéndez nesta quinta-feira, 24. Ele é acusado de ser um dos responsáveis pelo assassinato de quatro militantes políticos em 1977, durante a ditadura militar no país (1976-1983).   O Tribunal Oral Federal Número 1 de Córdoba, a 713 km de Buenos Aires, declarou Menéndez culpado pelo seqüestro, tortura e assassinato de quatro integrantes do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT). Menéndez cumprirá a sentença em uma prisão comum.   Além de Menéndez, de 81 anos, foram condenados outros sete ex-militares. As penas variam entre a prisão perpétua e 18 anos de reclusão.   A presidente das Avós da Praça Maio, Estela de Carlotto, declarou que a sentença é um "fato histórico" e classificou Menéndez como "assassino que não se arrepende."   Segundo a sentença, os militantes políticos foram seqüestrados em 1977 e torturados durante um mês em um centro de detenção clandestino em Córdoba - conhecido como La Perla -, sendo posteriormente fuzilados.   Os militares condenados alegaram que as vítimas, a quem chamaram de subversivos, foram mortos em um enfrentamento armado.   Horas antes de ouvir o veredicto, Menéndez defendeu a repressão durante a ditadura militar. "Os delinqüentes subversivos ensangüentaram o país durante 10 anos, durante os quais assassinaram 1.500 pessoas", disse. "Este é o primeiro país que julga seus soldados vitoriosos que lutaram e venceram para seus compatriotas."   Menéndez disse que "os guerrilheiros dos anos 70 estão no poder", referindo-se ao ex-presidente Néstor Kirchner e a sua mulher e atual presidente Cristina Kirchner, que militaram na ala esquerdista do peronismo.   As palavras do general foram interrompidas por insultos de grupos de familiares de vítimas da ditadura, que foram retirados da sala de audiências.   Entre 1975 e 1979, Menéndez foi chefe do Terceiro Corpo do Exército, que atuava em uma dezena de províncias do país, inclusive Córdoba.   Menéndez também é processado pelo assassinato de dois sacerdotes católicos na província de La Rioja e crimes cometidos durante a Operação Condor (como se denominou a repressão coordenada contra grupos de esquerda por governos militares do continente Sul-americano).   Segundo números oficiais, 18 mil pessoas desapareceram durante a última ditadura argentina, mas organizações de direitos humanos afirmam que este número pode chegar a 30 mil.

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