General de Honduras pede solução pacífica para crise

Após empresários, militares também se manifestam pelo fim do golpe e mostram divisão entre conservadores

Agência Estado e Associated Press,

29 de setembro de 2009 | 15h21

O general Romeo Vasquez, que monitorou a expulsão do presidente deposto Manuel Zelaya, pediu a todos os setores da sociedade hondurenha que se unam para resolver a crise no país. Vasquez falou nesta terça-feira, 29, ao canal 5 de televisão local, em uma mensagem aparentemente destinada a acalmar o descontentamento de setores da população, após o governo de facto suspender liberdades civis.

 

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Vasquez concedeu a entrevista horas depois de o presidente de facto Roberto Micheletti dizer que aceitaria "nos próximos dias" os pedidos do Congresso para reverter um decreto de emergência suspendendo liberdades civis. As restrições foram impostas no domingo.

 

Micheletti também disse que permitirá a chegada de uma delegação da Organização dos Estados Americanos (OEA), que teve sua entrada no país impedida no fim de semana. A OEA tentará convencer os líderes do golpe a ceder aos apelos internacionais para que Zelaya volte ao posto.

 

Zelaya foi derrubado e expulso do país em 28 de junho, mas voltou em segredo há uma semana e desde então está abrigado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

 

O recuo de Micheletti refletiu a maior demonstração de discordância com o regime até o momento. Os conservadores demonstraram temor de que o decreto do domingo ameace as eleições presidenciais marcadas para 29 de novembro, que na opinião deles é a melhor alternativa para o país retomar o reconhecimento internacional.

 

"Eu estou seguro que os hondurenhos encontrarão uma solução pacífica em breve para a crise que estamos enfrentando", afirmou Vasquez. "Todos os setores da sociedade devem colocar suas diferenças de lado para unir a pátria", continuou.

 

Um outro grupo, de empresários influentes em Honduras, apresentou também nesta terça um plano para solucionar a crise no país, no qual Zelaya seria restituído ao poder, mas com algumas limitações, e Micheletti voltaria ao Congresso não mais como presidente, mas como deputado, e teria uma cadeira vitalícia na casa.

 

"O plano é produto da discussão de um grupo grande de empresários e outros cidadãos hondurenhos e a ideia principal se baseia no plano do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, com modificações complementares para responder às inquietudes de alguns setores", argumentou Facussé, líder do grupo de empresários, cuja proposta também prevê a intervenção de tropas multinacionais para garantir o cumprimento de todas as partes envolvidas no acordo.

 

Sobre o estado de sítio, Zelaya, falando do telefone, afirmou que o decreto prova que o governo interino "é uma ditadura fascista que reprimiu o povo hondurenho". Micheletti chegou a dar ao Brasil um ultimato de 10 dias para definir o status de Zelaya, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou a iniciativa. Na segunda-feira, Micheletti enviou "um grande abraço" para Lula e disse que nada acontecerá à missão diplomática brasileira.

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