General em atividade é preso por homicídio durante ditadura no Uruguai

Miguel Dalmao é acusado junto a coronel retirado pela morte de uma militante comunista em 1974

AP,

08 de novembro de 2010 | 19h38

MONTEVIDÉU- O general em atividade Miguel Dalmao foi processado nesta segunda-feira, 8, e enviado a prisão pelo crime de "homicídio especialmente qualificado" pelo assassinato de uma militante comunista em 1974, no primeiro caso de um militar em atividade processado por um crime cometido durante a ditadura (1973-1985).

 

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Junto a Dalmao também foi preso e processado o coronel retirado José Chialanza. Ambas as medidas foram decididas pelo juiz Rolando Vomero a pedido da procuradora Mirtha Guianze, para processar os dois militares preventivamente pela morte de Nibia Sabalsagaray.

 

Dalmao, interrogado diversas vezes pelo assassinato, havia alegado inocência. Atualmente, ele era chefe da divisão IV do Exército.

 

Chialanza era o chefe do batalhão de transmissões nº 1 quando Sabalsagaray foi morta, enquanto Dalmao, então alferes, tinha sob sua responsabilidade um departamento de inteligência contra a subversão.

 

Ambos, na época, denunciaram a morte da militante como suicídio por enforcamento. Dalmao foi o único oficial presente no momento da morte de Savalsagaray. Chialanza estava encarregado do quartel.

 

O caso da militante comunista recobrou a atualidade depois que no ano passado a máxima corte uruguaia declarou inconstitucional uma lei de anistia sancionada em 1986 que evitou o julgamento de uniformizados por crimes cometidos durante a ditadura.

 

Dez militares estão presos desde 1976, mas todos são acusados de crimes contra a humanidade cometidos fora do Uruguai, principalmente na Argentina, onde desapareceram 150 uruguaios.

 

Também está preso e condenado a 30 anos de prisão o ex-presidente civil convertido em ditador Juan M. Bordaberry, por homicídios e atentado à Constituição devido ao golpe de Estado de junho de 1973.

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