Golpe histórico no México tira US$ 400 milhões do narcotráfico

O presidente Bush apresentou o projeto dentro de um pacote de combate ao terrorismo internacional

EFE,

02 de novembro de 2007 | 04h38

O histórico golpe que o Governo mexicano deu nesta quinta-feira, 1º, com a apreensão de 23,5 toneladas de cocaína, tirou do crime organizado a possibilidade de obter US$ 400 milhões, quase o mesmo valor que os Estados Unidos querem destinar em ajuda ao México para combater os chefões das drogas em 2008. Segundo o embaixador dos Estados Unidos no México, Antonio Garza, o valor da apreensão supera os US$ 400 milhões no mercado negro. Em 22 de outubro, a Casa Branca solicitou ao Congresso dos EUA US$ 500 milhões para a Iniciativa Mérida, um plano antidrogas com orçamento total de US$ 1,4 bilhão em três anos. A iniciativa encontrou resistência de congressistas nos EUA. O presidente George W. Bush apresentou o projeto dentro de um pacote de combate ao terrorismo internacional de US$ 46 bilhões, explicou à Agência Efe o analista José Reveles. O especialista em temas de segurança acredita que o projeto encontrará um sério obstáculo nos EUA porque se misturou com o polêmico tema do Iraque. Além disso, no México, os legisladores de centro e esquerda exigem que o Governo divulgue o que negociou. O senador mexicano Manlio Fabio Beltrones disse a um grupo de correspondentes estrangeiros que há uma consciência de que o crimeinternacional "se combate com colaboração internacional". Mas afirmou que o Governo tem que dizer ao Congresso "quais são os compromissos que assumiu". Em comunicado divulgado após o anúncio da apreensão recorde, o embaixador Garza destacou a necessidade de o Congresso dos EUA apoiar a Iniciativa Mérida. A droga foi achada em contêineres trazidos pelo navio Esmeralda, com bandeira de Hong Kong, procedente do porto de Buenaventura (Colômbia). Inicialmente foram descobertas mais de 11 toneladas. Em seguida, a Procuradoria Geral informou que achou mais 11, somando até agora 23,5. A Polícia inda vai inspecionar outros contêineres. Para Reveles, com a operação histórica os Governos do México e Estados Unidos exercerão pressão para aprovar a Iniciativa Mérida. Pelas estimativas de especialistas, lembrou, só 10% do total que os cartéis traficam acabam sendo apreendidos. Mesmo assim, as 23,5 toneladas contrastam com as 18 apreendidas em todo o ano de 2006 no México. Fontes extra-oficiais disseram à Efe que, pela rota da carga, a cocaína pode pertencer ao Cartel do Golfo. A quadrilha é chefiada por Osiel Cárdenas, que está numa prisão dos Estados Unidos, depois de ter sido extraditado pelo Governo mexicano. Outros não descartam que a carga pertença ao Cartel de Sinaloa, de Joaquín Guzmán. Manzanillo fica na sua zona de influência. No dia 5 de outubro, as autoridades mexicanas haviam encontrado 11,7 toneladas de cocaína no porto de Tampico, no Golfo do México, que supostamente pertenciam ao cartel de Osiel Cárdenas. Para Reveles, as operações mostram que as rotas predominantes para introduzir cocaína no México são marítimas, através de grande navios ou lanchas rápidas. A era dos narcoaviões, explicou, terminou nos anos 90, depois da morte de Amado Carrillo, conhecido como "O senhor dos céus".

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