Governador aceita proposta de García para ser premiê do Peru

Esquerdista é encarregado de formar Gabinete depois da renúncia dos ministros por escândalo de corrupção

Reuters e Efe

11 de outubro de 2008 | 12h26

O governador de uma região ao norte do Peru disse neste sábado que aceitou a proposta do presidente Alan García para assumir o cargo de primeiro-ministro e de formar um novo governo após a renúncia em bloco do Executivo anterior por conta de um escândalo de corrupção.   "Me foi adiantado, lamentavelmente, que é o presidente da República que terá de informar", disse o presidente da região de Lambayeque, Yehude Simon, à rádio local RPP, respondendo à pergunta sobre se havia aceitado a proposta do chefe peruano para ocupar o posto. García removeu do cargo na sexta-feira o seu primeiro-ministro, Jorge del Castillo, e todos os membros do seu gabinete, após receber críticas da oposição por um escândalo de corrupção na concessão de lotes petrolíferos para uma empresa estrangeira.   Simon, um esquerdista independente muito reconhecido por seu trabalho à frente de Lambayeque e por sua postura aberta ao diálogo, recebeu a proposta para formar o governo na última quarta-feira, feita em meio a crise do Petrogate, que afetou a credibilidade do primeiro-ministro Jorge del Castillo e do governista Partido Aprista Peruano (PAP).   A escolha de Simon parece tentar aumentar a confiança entre os cidadãos e para a aproximação de setores da esquerda com regiões que viam de forma negativa as políticas do Executivo anterior. Em declarações à emissora de rádio RPP, o ainda governador Lambayeque disse que sua gestão se centrará na luta contra a corrupção e na melhoria de aspectos sociais como educação e saúde, assim como meio ambiente e desenvolvimento da agricultura.   Além disso, assegurou que o diálogo com os dirigentes sindicais será prioritário."Quero fazer uma grande aliança, amizade entre os setores de esquerda e o Governo e não tenho a menor dúvida de que a direita também vai se aproximar. Este é um momento em que o país precisa de trégua pela situação econômica caótica que vive a humanidade", informou o novo primeiro-ministro.   O escândalo do Petrogate estourou no último domingo, quando o ex-ministro do Interior Fernando Rospigliosi divulgou em um programa jornalístico da "América Televisión" fragmentos de quatro gravações sobre supostas negociações irregulares, entre fevereiro e setembro deste ano, para favorecer a empresa Discover Petroleum.   A Discover Petroleum e a estatal Petroperú, unidas em um consórcio, obtiveram em setembro passado a concessão de cinco lotes petroleiros. A concessão foi questionada pela imprensa, já que a Discover Petroleum, fundada em 2005, tem apenas sete formas de exploração no Atlântico Norte e conta somente com 26 empregados.

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