Governador boliviano acusado de massacre é preso

Militares bolivianos detiveram naterça-feira o governador do Departamento de Pando, acusado deser o mandante de um massacre de camponeses, no mesmo dia emque o presidente Evo Morales disse estar esperançoso de iniciarem breve um diálogo com a oposição. Leopoldo Fernández, governador de Pando (fronteira com Acree Rondônia), foi detido numa vistosa operação militar em seugabinete, em Cobija (capital). "A detenção do prefeito [governador] de Pando obedece a umadeterminação legal; as Forças Armadas estão cumprindo seu papellegal no marco do estado de sítio", disse Morales ajornalistas, um dia após receber o apoio de outros governos daAmérica do Sul contra o que qualificou de "tentativa de golpecivil". Na sexta-feira, o La Paz decretou estado de sítio em Pandoe ordenou a prisão do governador, acusando-o de ter contratadopistoleiros para emboscar uma caravana de camponeses que sedirigia a uma assembléia de apoio ao governo. O incidente, a cerca de 30 quilômetros de Cobija, deixou 15mortos, 37 feridos e 106 desaparecidos. Quatro departamentos bolivianos governados pela oposição(Pando, Beni, Santa Cruz e Tarija) vivem há quase um mêsviolentos protestos contra a nova Constituição que Moralespretende aprovar para aumentar a participação do Estado naeconomia, dar mais poderes à maioria indígena e promover umareforma agrária. Apesar da tensão, o governo mantém um diálogo com aoposição, representada pelo governador de Tarija (sul), MarioCossio. Na terça-feira, Morales reiterou a tese de que a novaConstituição não é incompatível com a autonomia que osdepartamentos oposicionistas reivindicam. "Esperamos ao longo do dia de hoje chegar a um acordo emtorno desses pontos levantados até agora. Esse acordo podeservir de base para continuar conversando", disse Morales,primeiro indígena a governar a Bolívia. Os participantes do processo deixaram a sessão da madrugadade terça-feira dizendo que o acordo só dependia do aval deMorales. "Temos quase fechado o documento, faltam só detalhespolíticos que queríamos conversar com o presidente", disseCossio. O procurador-geral Mario Uribe, disse que não emitiu aordem de prisão contra o governador Fernández, mas que abriu umprocesso por genocídio contra ele --embora tenha admitido que ogoverno terá dificuldades jurídicas em levar a cabo talprocesso. "Os militares disseram ao governador que não tinham mandadode apreensão, mas que iam levá-lo mesmo assim, e o levaram",disse por telefone o senador oposicionista Paulo Bravo à rádioErbol, dizendo ter sido testemunha da prisão. O ministro da Defesa Legal, Héctor Arce, afirmou ajornalistas que Fernández pode ser condenado a 30 anos deprisão pelo massacre de camponeses.

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