Governador boliviano renuncia e agrava crise política no país

Político diz que não está disposto a assumir responsabilidade por confrontos em seu Estado

Agência Estado e Associated Press,

30 de agosto de 2007 | 21h17

O governador do departamento (Estado) boliviano de Chuquisaca, o oficialista David Sánchez, renunciou nesta quinta-feira, 30, ao cargo por desacordos com o governo, ao assinalar que não está disposto a assumir a responsabilidade por confrontos na sua região. O governo pediu que ele continue no cargo, pelo menos a curto prazo.   "Não quero ser responsável por confrontos, por pessoas que venham de outros lugares e que causem situações difíceis aqui, quem sabe com mortos e feridos; não quero ser culpado por essa situação," disse Sánchez em coletiva.   Sánchez se referia ao recente anúncio do vice-presidente Alvaro García Linera de enviar "100,000 camponeses" a Sucre, capital do departamento de Chuquisaca, para subjugar a população local, cujas mobilizações pelo retorno da sede dos poderes executivo e legislativo para a cidade obrigaram à suspensão da Assembléia Constituinte, por falta de segurança.   Sucre foi capital da Bolívia até 1899, quando a capital foi mudada para La Paz. A população de Sucre quer a cidade seja novamente a capital, mas o tema foi retirado das discussões no Parlamento. Daí adviria a revolta de parte da população.   "Hoje eu quero dizer que decidi deixar esse cargo nas mãos do presidente," disse Sánchez.   Poucos minutos antes do anúncio de Sánchez, o ministro Juan Ramón Quintana, disse que o governador demissionário "está obrigado" a permanecer no posto, porque foi eleito por voto popular.   "O prefeito (governador) do departamento de Chuquisaca está obrigado a cumprir o mandato," disse Quintana, ao lembrar que Sánchez assumiu suas funções junto ao presidente Evo Morales, em janeiro de 2006, para cumprir um mandato de cinco anos.   Lourdes Millares, deputada opositora do movimento de Sucre, que quer o retorno dos poderes à cidade, afirmou à AP que, ante a renúncia do governador, devem ser convocadas novas eleições para eleger o seu sucessor.   Desde que o tema da volta da capital a Sucre foi excluído dos debates no Parlamento, em 15 de agosto, ocorrem protestos diários em Sucre, alguns violentos.

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