Governador de Pando é preso por mortes na Bolívia

Leopoldo Fernández é acusado de mandar matar camponeses que apóiam o presidente nos choques na região

Agências internacionais,

16 de setembro de 2008 | 12h06

Depois de conseguir o respaldo da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) ao seu governo, o presidente boliviano, Evo Morales, anunciou nesta terça-feira, 16, que o governador do Departamento de Pando,  Leopoldo Fernández, foi detido pelas mortes de pelo menos 15 pessoas na região. Ele acusado de ter ordenado o assassinato de diversos camponeses durante os confrontos na semana passada entre as facções em favor e contrárias ao governo. A prisão foi feita no mesmo dia em que governo e oposição esperam chegar a um acordo para encerrar a crise política que atinge o país.   Veja também: Bolívia pode fechar acordo com oposição nesta terça Opositores acusam Chávez de controlar líder boliviano  Bolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Entenda o que é a Unasul Enviada do 'Estado' mostra o fim dos bloqueios Imagens das manifestações     O governo e os representantes dos governadores opositores se reúnem nesta terça pela terceira vez para realizarem uma negociação que permita acabar com a onda de protestos. Deve ser anunciado nas próximas horas um pré-acordo para fixar as condições de diálogo que deve ser realizado entre as partes. Em uma entrevista coletiva, Evo afirmou que espera conseguir o acordo ainda no fim desta terça. O presidente ainda agradeceu o apoio que recebeu dos governos sul-americanos durante a cúpula realizada no Chile e afirmou que a detenção do governador de Pando é uma ação legal e constitucional, e que "as Forças Armadas estão cumprindo com o estado de sítio". "Foi iniciado processo judicial de genocídio contra o governador de Pando", disse o presidente da Bolívia.   "Tenham certeza de que vamos garantir autonomias departamentais e regionais", acrescentou Morales, referindo-se à principal exigência dos governadores dos Estados opositores, com quem o governo negocia desde a semana passada as bases de um diálogo nacional. As conversas de Evo com a oposição excluem o governador de Pando, acusado pelo governo de ser o causador do massacre na cidade de Porvenir. A Procuradoria-Geral denunciou Fernández por crime de "genocídio na forma de massacre sangrento".   Pando, junto com os Estados de Beni, Tarija e Santa Cruz, encabeça há três semanas uma violenta onda de protestos contra o plano do presidente Evo de consultar a população sobre uma nova Constituição de cunho socialista e indigenista. As mortes em Pando foram os acontecimentos mais sangrentos desta onda de violência e são o motivo do Estado de sítio no Estado. O Exército já deteve vários dirigentes opositores pelas mortes dos camponeses.   Segundo a imprensa local, o governador Leopoldo Fernández, que nega as acusações, foi preso em Cobija, capital do Estado, ao norte de La Paz. Fernández - cujo partido Poder Democrático Social (Podemos) é a principal força opositora no país - afirmou na segunda-feira que enfrentará o processo e anunciou "resistência" contra o estado de sítio em Pando. O opositor ainda garantiu que seguirá sua rebelião contra o presidente Evo Morales e denunciou que pelo menos seis líderes cívicos foram presos em Cobija, mas não se sabe se eles estariam entre os dez detidos pelo Exército.

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