Governador opositor enfrenta ameaças de Chávez

Presidente venezuelano acusa Martínez de plano para não reconhecer resultados das eleições regionais

Agências internacionais,

11 de novembro de 2008 | 08h38

O governador do Estado venezuelano de Sucre, Ramón Martínez, respondeu na segunda-feira, 10, às ameaças do presidente Hugo Chávez de prendê-lo com outros políticos opositores por planejar uma suposta fraude eleitoral nas eleições regionais de 23 de novembro. "Aqui estarei", advertiu Martínez segundo o jornal El País. "Que me levem preso, pois poderão fazê-lo apenas fisicamente, já que meus pensamentos jamais serão encarcerados", definindo-se como um "homem democrático que defende seus valores". Na noite de domingo, Chávez acusou Martínez de planejar não reconhecer os resultados das eleições. "Ramón Martínez não só vai perder o governo, mas vai acabar na cadeia", disse o presidente. "Nós vamos varrê-lo daqui no dia 23 de novembro, seu traidor asqueroso." Martínez negou as acusações, afirmando que, segundo as pesquisas, a oposição vencerá no Estado por "uma vantagem de mais de 15 pontos". Chávez ordenou na segunda que as Forças Armadas do país tomassem o aeroporto de Carúpano, no Estado de Sucre. Chávez acusa Martínez de impedir a instalação de uma base e um heliponto da petrolífera estatal PDVSA no aeroporto e ameaça prendê-lo. A tomada do aeroporto foi feita pela manhã. No último fim de semana, Chávez também ameaçou enviar tanques para as ruas se a oposição vencer as eleições regionais do dia 23 e mandar para a cadeia adversários que não reconheçam os resultados. O discurso do presidente venezuelano está se radicalizando com a proximidade das eleições. "Se vocês permitirem que a oligarquia volte ao governo (regional), talvez eu acabe usando os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e o povo", disse Chávez num discurso no Estado de Carabobo, um dos mais populosos do país, após reconhecer que seu candidato não é o primeiro nas pesquisas. "Pátria ou morte é o lema." O governador de Sucre foi eleito como aliado de Chávez, mas começou a assumir posições críticas ao presidente, da mesma forma que outros integrantes de seu partido, o Podemos (que ainda faz parte da base chavista no Congresso). Ele não é o primeiro líder opositor a ser ameaçado pelo presidente venezuelano. Recentemente, Chávez ameaçou prender por corrupção o atual governador do Estado de Zulia, Manuel Rosales, uma das principais figuras da oposição, que concorrerá a Anteriormente, o líder da oposição venezuelana, Manuel Rosales, acusou Chávez de manter uma "guerra suja" e lamentou que o presidente, em vez de fazer uma campanha eleitoral para ganhar as disputas locais, esteja tentando desprestigiar os candidatos rivais. Se em 2004 aliados de Chávez venceram em 21 Estados venezuelanos, além de levarem o governo do distrito da capital, dessa vez se espera que os opositores consigam de 3 a 8 Estados - alguns deles muito significativos como Carabobo e Sucre, além de Zulia. "(Os opositores) querem ganhar uma dúzia de Estados estratégicos e declarar autonomia, como fez a oligarquia boliviana com Evo Morales", acusou o presidente. "É isso que querem fazer em Zulia e Sucre - converter tais regiões em republiquetas." Chávez já recorreu à ameaça em outros processos eleitorais. Segundo a oposição, o objetivo é criar um ambiente polarizado e tenso, fazendo com que muitos eleitores prefiram ficar em casa no dia da votação. Do resultado das eleições do dia 23 dependerão as condições que o presidente terá para avançar em sua "revolução socialista", freada pelo veto a uma reforma da Constituição, no plebiscito do dia 2 de dezembro.

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