Governador rebelde diz lutar para que Bolívia não vire Cuba

O governador do Departamento dePando, acusado por La Paz de ordenar um massacre de camponesesem meio à onda de violência política no país, disse que manterásua rebelião contra o presidente Evo Morales para evitar que opaís se transforme em uma nova Cuba. Leopoldo Fernández disse à Reuters que sua região, nafronteira com Acre e Rondônia, vai "resistir" ao estado desítio decretado pelo governo central. Pando, com apenas 60 milhabitantes, registra os mais graves incidentes na atual fasedos conflitos. O governador, de 56 anos, rejeitou as acusações de queseria o mandante da morte de pelo menos 25 camponesespartidários de Morales, na quinta-feira, nos arredores deCobija, a capital regional. "Aqui estou, nunca abandonei Cobija em momento algum. Querodizer a Morales que já basta de mentiras ao povo, queinvestiguem realmente o que aconteceu e que não nos joguem aculpa por um massacre", disse o político do partido conservadorPodemos. O governo chegou a anunciar que prenderia Fernández, mas osmilitares que vigiam o estado de sítio decretado na sexta-feiraà noite não o detiveram, apesar de o governador manter suasatividades normais. Na madrugada de segunda-feira, dez pessoas foram presas emações militares em Cobija, por suposta ligação com a morte doscamponeses. Armas foram apreendidas. Segundo relato de sobreviventes à imprensa local, houve umaemboscada contra uma comitiva que participaria de umaassembléia política regional em favor de Morales. De acordo com o governo nacional, funcionários doDepartamento e pistoleiros participaram da ação, e pelo menosum dos agressores teria morrido no confronto. Pando, uma região essencialmente agrícola, é um dos quatrodepartamentos bolivianos que se rebelaram violentamente contraa aprovação de uma nova Constituição socialista para o país. "O governo de Morales quer instaurar um modelo como há emCuba e na Venezuela, com um discurso do século passado",afirmou Fernández, aludindo aos estreitos laços que Moralesmantém com os governos esquerdistas de Caracas e Havana.

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