Governadores da oposição rejeitam nova Constituição da Bolívia

Cinco governadores bolivianos daoposição anunciaram na segunda-feira que vão lançar um plano deresistência contra a nova Constituição do país, aprovada nodomingo, num novo desafio ao processo de reformas do presidenteEvo Morales. Os governadores, que na Bolívia são chamados de prefeitos,reuniram-se na cidade de Cochabamba na noite de domingo, horasdepois da aprovação do texto constitucional pela AssembléiaConstituinte, dominada pelo governo. A nova Carta tem de passarpor dois referendos antes de entrar em vigor. O governo não pareceu surpreso com a rejeição daConstituição pela frente opositora, e começou a preparar umagrande festa para sexta-feira, dia em que os líderes daConstituinte apresentarão a nova Constituição a Morales. "Nas próximas horas serão conhecidas as conclusões dareunião e as atitudes que serão tomadas daqui para a frentepara enfrentar a nova Constituição", disse o porta-voz daprefeitura de Cochabamba, Erick Fajardo, em nome dos cincoprefeitos direitistas. Os prefeitos Rubén Costas, do departamento de Santa Cruz,Ernesto Suárez, de Beni, Leopoldo Fernández, de Pando, e MarioCossío, de Tarija, além de Manfred Reyes Villa (Cochabamba),consideram que o novo texto "viola todo princípio democrático elegal", afirmou o porta-voz. Os governadores somaram-se ao movimento contra a nova Cartajá criado pelo líder da aliança direitista Podemos, oex-presidente Jorge Quiroga. Morales quer "refundar" a Bolívia com a nova Constituição,integrando a marginalizada maioria indígena do país, que é omais pobre da América do Sul. Os três setores da oposição questionam especialmente oprocedimento de aprovação da nova Constituição, e não tanto oconteúdo, que inclui a reeleição presidencial e o segundo turnonas eleições. Ela também cria um regime de autonomias por departamentos,províncias, regiões e comunidades indígenas. Os prefeitosqueriam que a autonomia chegasse só até o nível departamental. Políticos dos ricos distritos de Santa Cruz e Tarija, osmais radicais da oposição, disseram pensar na possibilidade dedeclarar "autonomias de fato" no próximo fim de semana,ignorando o processo constituinte. (Por Carlos Alberto Quiroga)

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