Governistas e oposição criticam Chávez na Colômbia

Empresários colombianos também criticaram o pedido do venezuelano a Uribe

EFE,

12 de janeiro de 2008 | 04h31

Setores políticos colombianos ligados ao Governo de Álvaro Uribe, a oposição, a Igreja, militares da reserva e líderes do setor privado rejeitaram nesta sexta-feira, 11, a proposta do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de retirar a qualificação de terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O presidente da Câmara de Representantes, Oscar Arboleda Palacio, pediu que o presidente Uribe "retome de forma urgente a condução do acordo humanitário". "A posição do presidente Chávez em torno das guerrilhas colombianas viola o Direito Internacional Humanitário e o Direito Internacional público, ao se intrometer em assuntos internos da Colômbia e justificar o seqüestro como forma de luta", disse Arboleda. Para ele, as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN) "sem dúvida são grupos terroristas, devido à natureza dos atos que cometem seus integrantes", como o seqüestro e os atentados. O legislador pediu uma convocação em caráter urgente da Comissão Assessora de Relações Exteriores, da qual fazem parte os ex-presidentes colombianos. Ele quer fixar uma posição diante da "inaceitável intromissão do presidente da Venezuela nos assuntos internos do país". O Secretário da Conferência Episcopal colombiana, monsenhor Fabián Marulanda, afirmou que a Igreja Católica não compartilha as pretensões das Farc de buscar o status de beligerância. Na sua opinião, a guerrilha não tem ideologia política. Já a senadora Martha Lucía Ramírez, ex-ministra da Defesa, chamou de "abusiva" a proposta de Chávez. O conflito, ressaltou, "é um tema privativo dos colombianos". O senador Héctor Elí Rojas, do partido Liberal, de oposição, disse que "é preocupante que Chávez esteja fechando hoje a porta que abriu ontem", numa referência à libertação pelas Farc de Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo, mediada pela Venezuela. Outro senador, o governista Elmer Arenas, opinou que a proposta de Chávez é "uma idiotice". O presidente do Diretório Nacional Conservador, Efrain Cepeda, levantou a hipótese de que Chávez tenha negociado com as Farc esse pedido, em troca da libertação das duas seqüestradas. O ex-ministro de Relações Exteriores Augusto Ramírez Ocampo, membro da Comissão Nacional de Conciliação (CNC), afirmou que "os fatos terroristas das Farc falam por si". "É bem sabido que no cenário mundial uma organização armada que usa práticas terroristas, como armas com alvos indiscriminados, bombas e minas antipessoais, não merece qualificativo diferente do de terrorista", ressaltou Ramírez. Empresários colombianos também criticaram o pedido do venezuelano a Uribe, que consideraram "inadmissível". O presidente da Federação Nacional de Criadores de Gado (Fedegan), José Félix Lafaurie, disse que as Farc são não apenas uma força terrorista mas também narcotraficante. Já o presidente da Confederação de Câmaras de Comércio, Eugenio Marulanda Gómez, afirmou que as exigências do governante venezuelano são inadmissíveis. O país não pode se sujeitar a Chávez, acrescentou. Para o general colombiano José Bonnet Locarno, ex-comandante das Forças Armadas, "Chávez apagou com o cotovelo o que havia feito, porque a agressão foi contra a nação colombiana, atormentada pelas Farc". Ele recomendou que o Governo recorra à ONU, à OEA e à União Européia para denunciar a agressão contra a Colômbia.

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