Governistas planejam ato para pressionar Congresso na Bolívia

Partidários de Evo Morales querem pressionar parlamentares a aprovar referendo constitucional no país

Mery Vaca, BBC

07 de outubro de 2008 | 08h33

Partidários do presidente da Bolívia, Evo Morales, planejam uma grande marcha até a capital La Paz para pressionar o Congresso a aprovar a convocação do referendo constitucional no final deste mês. Segundo informou à BBC o presidente da Conalcam (Coordenadoria Nacional para a Mudança, na sigla em espanhol), Fidel Surco, a marcha partirá na próxima segunda-feira, 13 de outubro, da cidade de Caracollo rumo à capital, onde deve chegar no dia 20 de outubro. O líder do grupo apoiador de Morales afirmou que o objetivo da marcha é "aprovar o novo texto constitucional e o referendo". Eles estariam planejando promover um "cerco" Congresso. Segundo Surco, "mais de 1 milhão de pessoas" devem participar do protesto. A pressão procura fazer com que a convocação do referendo seja aprovada. O governo não tem a maioria necessária para que o projeto passe no legislativo. Além de consultar os bolivianos sobre a aprovação ou não do texto constitucional votado pela Assembléia Constituinte sem a presença da oposição, o referendo deve fazer uma consulta sobre a reforma agrária que o governo de Evo Morales pretende promover. Oposição Em resposta às pressões dos setores governistas, o presidente do Senado, Oscar Ortiz, afirmou que pedirá a presença de observadores internacionais para que se verifiquem as condições em que será realizada a sessão. Ortiz ainda afirmou ainda que se os movimentos sociais impedirem a entrada de parlamentares opositores na casa, como aconteceu em outras ocasiões, "o governo estaria violando as liberdades democráticas". Já o líder do partido opositor Podemos, Jorge Quiroga, convidou os observadores internacionais a ficarem na Bolívia para que vejam "o que é um golpe de Estado" empreendido pelo governo. Diálogo interrompido Para tentar resolver as diferenças entre governo e oposição, representantes da administração Evo e prefeitos (governadores) de Departamentos começaram uma rodada de negociações em meados de setembro. As conversações, no entanto, terminaram no último domingo sem acordo. Os governadores da oposição se negaram a assinar um acordo no último domingo argumentando que, exceto pela questão da autonomia dos Departamentos, o governo se negou a fazer outras concessões no texto constitucional. De acordo com os planos do governo, revelados pelo próprio Morales, o referendo constitucional deve ser realizado em fevereiro do próximo ano. Em julho, novas eleições devem ser convocadas para os cargos do executivo. Com os altos índices de aprovação ao seu mandato, Morales espera ser reeleito para poder continuar seu projeto de governo com uma nova Constituição.

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