Governo ameaça usar força contra opositores na Bolívia

Departamentos recusam proposta de diálogo de Evo Morales para conter estatuto autônomo

Agências internacionais,

12 de dezembro de 2007 | 09h21

Autoridades do poder Executivo boliviano alertaram que caso a proposta de resolver a crise política seja recusada e se os governos regionais insistirem em avançar com o processo de autonomia, o governo usará da força para conter o rompimento da unidade do país. A afirmação foi feita pelo ministro do governo, Alfredo Rada, e publicada na edição desta quarta-feira, 12, do jornal La Razón.   A declaração foi feita após o presidente Evo Morales pedir uma trégua política para as festas do fim do ano e descartar a possibilidade de instalar um estado de sítio para conter os protestos regionais contra a nova Constituição. Os governadores rejeitaram a proposta, que qualificaram como uma "uma cortina de fumaça" para desmobilizar a oposição, e mantiveram a intenção de tornarem-se autônomos do governo a partir deste sábado.   "Se as iniciativas democráticas falharem, não prosperarem porque a oposição não quer o diálogo e atentarem contra a unidade do país, seguramente nesse momento as instituições de força legal e constitucional atuarão", disse o ministro. Ele lembrou ainda que o Estado "dispõe de instituições de força pública para preservar a ordem interna, a integridade nacional e a estabilidade democrática", reiterando que o governo insiste no diálogo.   Na segunda-feira, cinco dos nove governadores do país rejeitaram a Constituição aprovada preliminarmente no domingo e pediram autonomia para quatro departamentos: Santa Cruz e Tarija, produtores de petróleo, e Beni e Pando, na Amazônia. Morales quer que a autonomia seja estendida também às províncias, regiões e povoados indígenas, como determina a nova Constituição.   Segundo o presidente, a autonomia só para departamentos visa a proteger latifúndios adquiridos de forma ilegal, principalmente em Santa Cruz. Os governadores rebeldes anunciaram que vão pôr os processos de autonomia em vigor por conta própria, sem passar pela Corte Eleitoral.   "O que está em jogo aqui é a pátria e não vamos admitir que nenhum governador ou dirigente cívico possa atentar contra a unidade da pátria. É um dever constitucional combater atos de separatismo em nosso país", afirmou o vice-ministro de Regime Interior, Rubén Gamarra. Ele acrescentou ainda que esta posição é compartilhada pelas Forças Armadas.   O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branko Marinkovic, advertiu que Evo Morales e o MAS, partido governista, "tentaram ocupar militarmente Santa Cruz". Segundo ele, juízes e fiscais tentaram prender autoridades e líderes civis", com o argumento de que eles teriam cometido atos de revolta.

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