Governo argentino e ruralistas brigam por 'barracas'

O acirrado conflito entre ogoverno da Argentina e o setor ruralista chegou na terça-feiraàs ruas quando partidários da presidente Cristina Fernández emembros de entidades agropecuárias montaram barracas na frentedo Congresso, onde se debate uma forma de resolver a disputa. Durante o fim de semana, diferentes grupos governistas--entre os quais um comandado pelo filho da presidente--ergueram grandes tendas com cartazes explicando os motivos dasautoridades argentinas para aumentar os impostos sobre aexportação de grãos, medida essa que detonou o conflito. No entanto, esses grupos não pediram autorização prévia daprefeitura, controlada atualmente por Mauricio Macri, um dosprincipais nomes da oposição, o que transformou o ato nocenário de um novo choque político, enquanto membros dosgovernos municipal e federal trocavam farpas. Na segunda-feira, funcionários da prefeitura chegaram aolocal para desmontar as seis tendas, mas os manifestantesresistiram e a polícia fez ouvidos moucos ao pedido do governomunicipal porque não existiria uma ordem judicial nessesentido. No dia seguinte, chegaram os representantes do setorruralista para também montar barracas na praça que fica emfrente ao Congresso, apesar de verem-se obrigados a erguer suatenda em uma área lateral porque não havia mais espaço diantedo prédio do Poder Legislativo. Tudo ocorreu sob os olhares atentos de membros da polícia,presentes ali para garantir que não haja enfrentamentos entreos grupos. "Nós teríamos preferido estar do outro lado da praça, masnós temos outra forma de agir e esperamos o trâmite do pedidode autorização", disse a meios de comunicação argentinosNicolás Mattiuda, membro de uma das entidades agropecuárias. Há mais de cem dias, os ruralistas mobilizam-se contra umaalta dos impostos sobre a exportação de grãos. Na semanapassada, no entanto, e depois de quatro locautes e váriosbloqueios nas estradas, o agronegócio suspendeu asmanifestações a fim de permitir o debate da medida noCongresso. A montagem de barracas na frente do Congresso ocorreu pelaprimeira vez em 1997, quando um sindicato de professores ergueuuma enorme tenda branca no local a fim de exigir melhoressalários do governo do então presidente argentino, CarlosMenem. Aquela tenda permaneceu montada por mais de mil dias. Vendo de forma humorística a "guerra das barracas," ojornal Crítica de la Argentina publicou em sua primeira páginade terça-feira o seguinte texto: "Macri quis desmontar oacampamento, a polícia não quis nem mesmo ver o local. Peçaneste jornal a sua própria barraca!! Instale-se onde melhor lheaprouver!! Ame o camping!!". (Reportagem de César Illiano)

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