Governo argentino tenta superar a crise

A presidente da Argentina,Cristina Kirchner, fez na segunda-feira uma mudança no seugabinete, enquanto ministros realizaram anúncios que visam adevolver a iniciativa política ao governo depois da duraderrota da semana passada no Congresso. Pedindo anonimato, uma fonte oficial confirmou a demissãodo secretário de Agricultura, Javier de Urquiza, primeiravítima política da derrota no Congresso de um projeto queaumentava os impostos sobre as exportações agrícolas. A classe ruralista se opôs ao imposto e iniciou um protestonos últimos quatro meses, o que incluiu uma greve do setor ebloqueios rodoviários. Nesse cenário -- agravado pela inflação-, a imagem positiva atribuída pelas pesquisas a Cristina caiucerca de 30 pontos percentuais neste ano. Ao invés de negociar, o governo optou por enfrentar osruralistas, convocando em seu favor enormes manifestaçõespopulares. Tentando legitimar sua posição, a presidente buscou apoiodo Congresso para o aumento de impostos, mas acabou sendoderrotada. Na esperança de deixar o assunto para trás, o Ministério daEconomia publicou na segunda-feira no Diário Oficial asportarias que desativam totalmente o aumento de impostosaplicado em março sobre as vendas de grãos e derivados. O impasse argentino alterou os preços globais dascommodities e afetou o crescimento da economia local nosúltimos meses. A Argentina é um dos maiores exportadoresmundiais de trigo, soja e milho. Outra reação do governo à derrota política é buscar medidasque desfaçam a idéia de que existe uma paralisia naadministração. Nesse contexto, o ministro da Economia, CarlosFernández, anunciou um expressivo aumento do superávitprimário, contrariando rumores sobre as contas públicas. O superávit de junho foi 15,1 por cento superior ao domesmo mês de 2007. Tomando o primeiro semestre como base, oaumento foi de 41,8 por cento. Ainda na segunda-feira, Cristina realizou um ato em queanunciou formalmente a estatização da Aerolíneas Argentinas,que sob controle do grupo espanhol Marsans vivia uma gravecrise financeira, com adiamentos e cancelamentos que enfurecemos passageiros. "Acreditamos na articulação do público e o privado parafazer esta empresa grande", disse Cristina em discurso. A empresa passará dois meses sob o comando de uma comissãode transição, enquanto o governo e a Marsans discutem o valorda empresa, que tem dívidas de 890 milhões de dólares.

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