Governo boliviano prevê que nova Carta tenha 90% de apoio

Opositores advertem que não aceitarão mudanças firmadas com Legislativo para convocação do referendo

Agências internacionais,

23 de outubro de 2008 | 16h15

O governo do presidente Evo Morales prevê que a nova Constituição que será submetida a referendo em janeiro seja aprovada com 90% dos votos, afirmou nesta quinta-feira, 23, o ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero. A oposição advertiu que não aceitará as modificações que o Legislativo fez na Carta, como resultado de um pacto que permitiu a aprovação da consulta popular para a Constituição.   Veja também: Setores da oposição boliviana ameaçam não reconhecer Carta Conheça as mudanças no novo projeto constitucional Congresso aprova referendo para nova Constituição boliviana Fotos da marcha pró-referendo    O acordo foi logrado pelo governo e rivais políticos, parte dos que agora consideram ilegal que o Congresso tenha mudado o texto que saiu de uma Assembléia Constituinte, cuja aprovação também incluiu a oposição. Os parlamentares mudaram mais de 100 dos 411 artigos do texto para aprovarem a convocação do pleito, o primeiro passo que governo e oposição na Bolívia deram juntos após meses de divergências, protestos violentos e um clima de instabilidade política no país.   Romero considerou que é necessário "construir uma agenda política. Estamos em meio a uma desordem política. Agora, estamos mais ou menos acertados". Em coletiva de imprensa, ele acrescentou que dessa maneira "pode-se dar bastante oxigênio à gestão pública para que isso se desenrole. Há muitos problemas que vieram da crise econômica e da crise alimentar" para continuar com essas divergências.   Na quarta-feira, os governadores Rubén Costas, do Departamento (Estado) de Santa Cruz e Savina Cuéllar, de Chuquisaca, rejeitaram a convocação do referendo. Costas, um dos maiores opositores a Evo, disse que as mudanças na Carta Magna dão aval às intenções do presidente que "desde o princípio tentou se perpetuar no poder pela força."   Na terça, Evo concordou em desistir de disputar um terceiro mandato presidencial nas eleições de 2014, em troca do apoio da oposição para a passagem da convocação do referendo, que acontecerá em 25 de janeiro de 2009. Para destravar a votação do pleito no Congresso, Evo concordou com a modificação de mais de 100 dos 411 artigos da nova Constituição, incluindo o referente à reforma agrária.   A proposta da nova Constituição tem um forte apoio da população indígena, mas conta com a oposição das classes média e alta dos quatro Departamentos (Estados) do leste da Bolívia. Esses Departamentos acusam Evo de tentar centralizar e aumentar seus poderes, enquanto ignora os pedidos de autonomia das regiões.

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