Governo boliviano propõe suspender Assembléia Constituinte

Em 13 meses de trabalho, a Assembléia não conseguiu aprovar um só artigo

EFE

07 de setembro de 2007 | 01h32

O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, apresentou nesta quinta-feira um projeto de lei para fechar temporariamente a Assembléia Constituinte, após o fracasso das tentativas do Governo de Evo Morales de abrir um diálogo para sair da crise, informou a agência oficial "APN". Em agosto, a maioria governista na Assembléia retirou de sua pauta a reivindicação de Sucre de ser a sede de todos os poderes do Estado. Desde então a Constituinte está paralisada e a cidade é o eixo de um conflito nacional. O senador Guido Guardia, do partido de Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), anunciou que enviará outro projeto para "eliminar" a Constituinte e restabelecer a paz no país. Os deputados Willman Cardozo e Rodrigo Ibáñez, da aliança conservadora de oposição Poder Democrático e Social (Podemos), explicaram que nas próximas horas pedirão que o Congresso acelere a tramitação da proposta de Linera. Colunistas da imprensa boliviana, analistas políticos e diplomatas credenciados em La Paz disseram que o fechamento da Constituinte será um fracasso para o Governo Morales. A nova Constituição, lembram, é um dos eixos fundamentais de sua agenda. Em 13 meses de trabalho em Sucre, a Assembléia não conseguiu aprovar um só artigo. Sucre voltou a ser nesta quinta-feira o cenário de violentos choques, desta vez entre universitários e policiais. O saldo foi de cerca de 100 feridos. Os habitantes do departamento de Chuquisaca, com apoio de outras regiões de oposição, exigem que a Assembléia reconsidere o debate sobre a proposta de Sucre de voltar a ser sede do Parlamento e do Governo. Os dois órgãos estão em La Paz desde o fim de um conflito civil de 1899. Fracassaram várias tentativas de Morales de abrir um diálogo para resolver o conflito. As autoridades de Chuquisaca rejeitaram a proposta do Governo de uma reunião nesta sexta-feira na cidade andina de Potosí. O Comitê Interinstitucional de Sucre exige para qualquer aproximação que a Assembléia não delibere antes de solucionar o conflito, que a Igreja Católica assista ao diálogo e que a Polícia seja retirada das ruas. Além disso, pede que Morales, que tenta aparentar o papel de mediador, assuma que é "parte ativa" do Problema. A Conferência Episcopal católica também exigiu que Morales "assuma a sua responsabilidade, não como 'mediador', mas como principal responsável e fiador das liberdades cidadãs e da paz social para todos os bolivianos". Os religiosos alertam em comunicado para a "crescente escalada de confronto e violência", e pedem que a situação não chegue a um ponto de "descontrole". Um documento fornecido pela Presidência boliviana, supostamente elaborado por um grupo radical minoritário do leste do país, reduto da oposição, traça um plano para "derrubar o índio" Morales. O texto cita estratégias para a queda do Governo, como "fazer a Assembléia fracassar" com o conflito de Sucre, abrir outra frente entre as cidades de Oruro e Potosí, e retomar as mobilizações pelas autonomias regionais. "Quando a pressão se tornar intolerável, o Governo cairá por gravidade", diz o suposto documento da "Nación Camba", como são conhecidos os habitantes do departamento de Santa Cruz, rivais dos "colas" da região andina, majoritariamente indígena. Para segunda-feira, associações ligadas a Morales, convocaram manifestações em Sucre. O Governo espera a participação de 100 mil pessoas. Enquanto isso,greves de fome continuam em seis dos nove departamentos bolivianos, promovidas por opositores.

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