Edgard Garrido/Reuters
Edgard Garrido/Reuters

Governo cogita invadir missão brasileira para prender Zelaya

Inviolabilidade diplomática não implica em proteger fugitivos da Justiça, diz assessor da chancelaria hondurenha

Efe,

22 de setembro de 2009 | 11h48

O governo de facto de Honduras cogitou nesta terça-feira,22, invadir a sede da missão brasileira em Tegucigalpa, onde o presidente deposto do país, Manuel Zelaya está abrigado desde segunda. O assessor do ministério das Relações Exteriores do governo Micheletti, Mario Fortin, disse que forças do Exército e da polícia podem entrar na sede da embaixada para prender o presidente deposto.

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"A inviolabilidade de uma sede diplomática não implica na proteção de delinquentes, ou de fugitivos da Justiça", disse Fortin. "A ação judicial pode ser cumprida porque Zelaya não pediu asilo político ao Brasil".

Brasília e Tegucigalpa romperam relações diplomáticas em junho após o golpe de Estado que derrubou Zelaya. O presidente foi declarado fugitivo da Justiça após ter sido derrubado  e expulso do país.

O ministro da Defesa de Micheletti, Alfredo Sevilla, disse que pode declarar Estado de sítio em Honduras, caso manifestantes voltem à embaixada brasileira.

O porta-voz da polícia hondurenha, Orlin Cerrato, disse que está disposto a usar a força caso manifestantes pró-Zelaya voltem à embaixada. Até agora uma pessoa morreu nos distúrbios. A embaixada está cercada, com franco atiradores e sem água.

O governo de facto também fechou os aeroportos do país, uma medida que impediu a chegada do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Inzulza ao país. O diplomata pretendia conversar com Zelaya para dar início a negociações.

Em artigo escrito para o jornal americano "The Washington Post", Roberto Micheletti disse que a crise política em Honduras vai acabar após as eleições de novembro, mesmo com a volta do presidente deposto.

"Honduras está numa posição incomum agora que Zelaya voltou clandestinamente ao país, mas nosso povo está comprometido com eleições transparentes", escreveu o presidente de facto, que ainda reclamou da oposição feita a ele pelos EUA e pela União Europeia.

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