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Governo Colom entra em crise após acusação de assassinato

Presidente suspende agenda devido a protestos; em vídeo, advogado morto diz que líder ordenou sua execução

Agência Estado e Associated Press,

13 de maio de 2009 | 17h04

O presidente da Guatemala, Álvaro Colom, suspendeu sua agenda nesta quarta-feira, 13, por causa das manifestações populares - realizadas tanto por correligionários como por opositores - ocasionadas pela divulgação de um vídeo em que um advogado assassinado o acusa de ter ordenado sua morte. O chanceler guatemalteco, Haroldo Rodas, pediu em Washington o apoio dos países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) enquanto o país atravessa um dos piores escândalos de sua história.

 

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video Assista ao vídeo do advogado assassinado no YouTube

 

O porta-voz da chancelaria, César León, informou que foi suspensa a entrega de credenciais de alguns embaixadores em razão das manifestações realizadas em frente a sede do governo. Familiares, amigos e simpatizantes de Rodrigo Rosenberg, o advogado assassinado no domingo - a maioria de classe média e média alta -, pedem a renúncia de Colom, que foi apoiado em outra manifestação realizada por habitantes da periferia da capital. Os empresários pediram que a população mantenha-se calma, que o estado de direito seja mantido e o caso não seja usado com fins políticos.

Rodas pediu que a OEA apoie o governo de seu país "a fim de preservar a estabilidade e a paz social". A Guatemala foi estremecida na segunda-feira com a aparição de um vídeo no qual Rosenberg, assassinado um dia antes, acusa Colom, sua esposa Sandra Torres e seu secretário particular, Gustavo Alejos, de ordenarem sua execução. Na terça-feira o presidente pediu à Comissão Internacional das Nações Unidas contra a Impunidade na Guatemala (CICIG) e ao FBI que ajudem a investigar a morte do advogado, assim como o vídeo. 

O embaixador norte-americano Stephen McFarland disse nesta quarta-feira aos jornalistas que "uma pessoa (do FBI) chegou ao país. Não sei quanto tempo ela vai ficar na Guatemala. Sua função será manter contato com o CICIG e o Ministério Público e avaliar a situação". Rosenberg afirmou, nos 18 minutos de gravação, que foi morto porque estava para divulgar os negócios sujos de Colom e seus conhecidos no banco de capital misto Banrural.

 

Ele afirmou ter descoberto esses negócios quando foi advogado de Khalil Musa, um empresário assassinado em março. O advogado disse que Musa foi morto porque se negou a participar dos negócios do Banrural ao ser nomeado para a direção do banco. Rodas defendeu, perante a OEA, as ações do governo contra o narcotráfico e o crime organizado. "Sem dúvida, não lhes convêm o êxito (do governo) e a resposta desses grupos não deve demorar", afirmou.

Internet

Rodas explicou que Colom alertou, em ocasiões anteriores, sobre planos de desestabilização que incluem desde o assassinato de motoristas de ônibus, acusações de corrupção contra sua esposa até um suposto plano de assassinato de pessoas importantes. O chanceler culpou "organizações criminais que têm sido capazes de tramar planos de sublevação e querem impedir que Colom siga governando". Porém, ele não vinculou diretamente o aparecimento do vídeo a esses grupos. O presidente desqualificou o conteúdo da mensagem de Rosenberg e disse que ele era "falso."

O secretário-geral do Partido Patriota, de oposição, Otto Pérez, pediu ao presidente que deixe o cargo enquanto o crime é investigado. Em redes sociais na internet, como o Facebook, a ideia de pedir a renúncia de Colom cresce a cada momento. O grupo "Guatemaltecos unidos pedimos a renúncia de Álvaro Colom" tinha mais de 16.500 membros, apenas dois dias depois de ter sido criado. De acordo com o Facebook.com, há cerca de 135 mil pessoas que se registraram como sendo moradores da Guatemala.

 

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