Governo da Argentina faz denúncia contra diretores do Clarín e La Nación

Cristina Kirchner acusa os dois jornais de terem adquirido empresa ilegalmente durante a ditadura

Efe,

21 Setembro 2010 | 20h18

BUENOS AIRES- O governo da Argentina apresentou nesta terça-feira, 21, uma denúncia contra o ex-ditador Jorge Videla e os diretores dos jornais Clarín e La Nación por "apropriação ilegal" da empresa Papel Prensa, a única fabricante de papel-jornal do país, durante a ditadura.

 

Em um longo texto, o ministro de Direitos Humanos, Eduardo Luis Duhalde, também pediu em nome do Executivo que a Justiça processe os envolvidos.

 

A apresentação, apoiada também pelos advogados do Estado, pede que ações que constituem "crimes de lesa humanidade" sejam investigadas e indica que o objetivo da denúncia é "alcançar a verdade histórica quanto ao destino e identificação das vítimas".

 

A denúncia refere-se ao papel que os donos dos dois jornais teriam desempenhado em 1976. Na época, eles compraram a empresa Papel Prensa, que fornece matéria-prima para o Clarín e o La Nación, beneficiados por uma venda vantajosa depois que a herdeira da empresa, Lidia Papaleo Graiver, foi presa e torturada pelos militares, na versão do governo.

 

O marido dela, David Graiver, que teria ajudado a financiar o grupo radical de esquerda Montoneros, morreu num misterioso acidente de avião antes da transação. A versão de que os dois jornais se beneficiaram dos crimes para assumir o controle da empresa que abastece 75% do mercado interno é respaldada por Lidia.

 

Mas Isidoro, irmão de David, responsável por selar o negócio, publicou recentemente uma carta aberta na qual assegura que a venda foi feita "sob condições normais e favoráveis" para a família.

 

O Clarín, maior jornal do país, e o La Nación já rechaçaram as acusações e afirmam ser vítimas de um ataque do governo contra a liberdade de imprensa e informação.

 

O capital da Papel Prensa é repartido pelo grupo Clarín (49%), o Estado (27,46% de forma direta e 0,62% por meio da agência oficial Télam) e o La Nación (22,49%), com cerca de 0,43% nas mãos de terceiros.

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