Governo de Cristina Kirchner deve ser distanciar de Chávez

Aliança da Venezuela com o governo iraniano pode ser uma das causas para afastamento, segundo analista

Marina Guimarães, da Agência Estado,

22 Novembro 2007 | 14h41

A presidente eleita da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, tomará posse somente no dia 10 de dezembro, mas suas últimas ações durante o período de transição mostraram que pode haver algumas mudanças na política exterior do seu governo.   Alguns analistas políticos acreditam que o principal aliado político da Argentina na região serão Brasil e Chile, ficando em segundo plano a Venezuela e Bolívia, países que ocuparam um lugar de destaque durante o governo de Néstor Kirchner.   "Nas prioridades de política exterior de Cristina Kirchner não figura Hugo Chávez, embora ela não tenha o costume de fazer críticas contra ele, nem permite que outros o façam diante dela", opina o analista e jornalista Joaquím Morales Solá, do jornal La Nación. Ele explica que uma das razões que afastam Buenos Aires de Caracas é a proximidade venezuelana com o Irã.   Há poucos dias, a Argentina conseguiu da Interpol a ordem de captura com alerta vermelho de cinco ex-funcionários do governo iraniano e um libanês, acusados de serem os responsáveis intelectuais do atentado a bomba contra a sede da associação israelita, Amia, na capital portenha, ocorrido em 18 de julho de 1994.   O ataque terrorista é uma ferida na história argentina que deixou o saldo de 86 mortos e centenas de feridos. Antes, em março de 1972, a sede da embaixada de Israel já havia sofrido um ataque, no qual morreram 26 pessoas. O casal Kirchner assumiu o compromisso com a comunidade judia no país, a segunda maior fora de Israel, de esclarecer o atentado contra a Amia e punir os culpados.   Para o analista Morales Solá, o próprio Kirchner se distanciou de distância de Chávez durante o episódio de enfrentamento do venezuelano com o rei Juan Carlos, da Espanha. Quatro dias depois, e sua já famosa frase "por que no te callas", Kirchner disse que "o rei Juan Carlos é o melhor político da Espanha e um dos melhores políticos do mundo".   O analista considera que "só com este parágrafo, Kirchner disse adeus ao mesmo tempo à Chávez, ao nicaragüense Daniel Ortega e, em alguma medida, também ao boliviano Evo Morales, e ao equatoriano Rafael Correa".

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