Governo de Cuba oferece asilo a dissidentes em outros países

Segundo fontes da dissidência interna, proposta foi feita inclusive a mãe de Orlando Zapata

Efe,

14 de outubro de 2010 | 20h39

HAVANA- O governo de Cuba ofereceu nos últimos dias asilo definitvo em outros países a vários ex-presos políticos e dissidentes cubanos, incluindo a família do falecido Orlando Zapata Tamayo, que morreu em fevereiro, segundo informaram nesta quinta-feira, 14, fontes da dissidência interna.

 

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Segundo Berta Soler, porta-voz das Damas de Branco, a mãe de Zapata, Reina Luisa Tamayo, foi comunicada pelo Arcebispado de Havana de que as autoridades permitiriam que toda sua família saísse do país.

 

Orlando Zapata Tamayo morreu em 23 de fevereiro após 85 dias de greve de fome para pedir que fosse tratado como "prisioneiro consciência" e a liberdade de outros presos cubanos.

 

De acordo com Soler, Reina disse não ver problema em que seus filhos saiam da ilha, mas ela não deixará Cuba sem levar consigo os restos mortais de Orlando.

 

Outros dissidentes, como o economista Oscar Espinosa Chepe, libertado em 2004 por problemas de saúde, e sua mulher, a jornalista independente Miriam Leiva, também receberam uma proposta semelhante, mas diretamente das autoridades de imigração cubanas.

 

O casal informou em uma nota de imprensa que compareceram a uma entrevista nesta quinta, na qual um funcionário de Imigração os disse que seria outorgada a eles "permissão de saída permanente de Cuba".

 

"Respondi que não desejava sair definitivamente da minha pátria, mas sim que desejava realizar saídas temporárias, ou seja, poder sair ao exterior e ter a garantia de poder regressar a Cuba. Minha esposa comunicou decisão igual", declarou Espinosa, integrante do grupo dos 75 presos na Primavera Negra de 2003.

 

Também teriam recebido a oferta outros libertados do Grupo dos 75 por razões de saúde, como Margarito Broche, Jorge Olivera, Carmelo Díaz e Roberto de Miranda, segundo disse à Efe o ativista Elizardo Sánchez, da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN).

 

As propostas estão sendo feitos em um momento marcado pela libertação de presos políticos com a condição de que abandonem a ilha imediatamente após terem deixado a prisão, como os 39 do grupo dos 75 que já viajaram à Espanha.

 

O governo de Raúl Castro anunciou por meio da Igreja da ilha a próxima libertação e viagem de três presos que não fazem parte do compromisso inicial de libertar os 52 restantes dos 75.

 

A decisão foi interpretada como uma intenção do governo de ampliar as libertações de opositores presos, com a condição de que deixem a ilha definitivamente.

 

Recentemente, o cardeal Jaime Ortega, principal interlocutor do governo no processo, afirmou que novas listas de presos estavam sendo analisadas para mais libertações.

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