Governo de Evo Morales acusa EUA de financiar oposicionistas

Vice-presidente diz que a ajuda de US$ 140 milhões dados pelos EUA ao país tem 'componente político'

26 de agosto de 2007 | 21h42

O Governo do presidente boliviano, Evo Morales, acusou neste sábado, 26,  os Estados Unidos de destinarem parte da ajuda dada ao país para financiar grupos de ideólogos oposicionistas e ex-autoridades de governos anteriores. O vice-presidente Álvaro García Linera disse à rádio "Patria Nueva" que os US$ 140 milhões dados pelos EUA ao país se dirigem, por um lado, a setores produtivos e, por outro, a opositores - porque uma parte da ajuda tem "componente político". "É curioso que com dinheiro de apoio externo estejam sendo articulados centros de influência ideológica, política e acadêmica, com ex-ministros, ex-vice-ministros, ideólogos conservadores", disse García Linera. De acordo com a autoridade, o dinheiro dos EUA está formando llugares de trincheira de antigos funcionários" que trabalharam para os presidentes Carlos Mesa , Gonzalo Sánchez de Lozada, Hugo Banzer Suárez  e Jaime Paz Zamora. "Protestaríamos da mesma forma se fosse dinheiro do Japão, ou da Venezuela ou da Argentina que estivesse financiado centros, que sedizem em defesa da democracia, mas que no fundo são locais de trincheira de antigas autoridades", assegurou. Segundo o vice-presidente, é uma ajuda "que não favorece a Bolívia" e por isso é necessária uma lei para fiscalizar o fluxo do dinheiro que chegam de ONGs e embaixadas. "Não podem ser utilizados recursos de doação para potencializar politicamente ninguém: nem o Governo, nem a oposição", disse García. Ele garantiu que o Governo Evo não recebeu "nem um dólar" como apoio para seminários políticos, mas está recebendo ajuda econômica direta do aliado Hugo Chávez, da Venezuela, em verbas distribuídas entre municípios e as Forças Armadas. O programa de distribuição de dinheiro, batizado como "Bolívia muda, Evo cumpre", permitiu a Evo entregar aos municípios mais de US$ 6 milhões, com verba controlada pela embaixada venezuelana em La Paz, como publica neste domingo o jornal "La Razón".

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