Governo de facto: desistência de Zelaya não interrompe acordo

O presidente deposto se recusou a voltar ao poder e qualificou o pacto como um 'fracasso'

AE-AP,

16 Novembro 2009 | 11h20

O acordo para solucionar a crise política em Honduras seguirá em vigor, mesmo que o presidente deposto Manuel Zelaya tenha desistido de sua restituição, afirmou no domingo uma negociadora do governo de facto.

 

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"Tudo segue caminhando e seguiremos trabalhando nesse caminho", disse Vilma Morales, ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, referindo-se ao pacto entre os dois grupos políticos rivais. Vilma representa nas negociações o presidente de facto, Roberto Micheletti.

 

No sábado à noite, Zelaya disse que se recusa a retornar ao poder como parte do acordo. Segundo ele, caso aceitasse o retorno, estaria legitimando o golpe que o tirou do cargo, em 28 de junho. "Com firmeza, o acordo está vivo", rebateu Vilma. A negociadora notou que o texto "foi assinado pelas duas partes", em 30 de outubro.

 

Cinco dias depois do pacto, Zelaya qualificou-o como um "fracasso". O líder deposto exigia primeiro sua volta ao poder, para então ser formado um governo de união. Já o grupo de Micheletti pretendia primeiro formar esse governo. A decisão sobre a volta ou não de Zelaya está a cargo do Congresso, que ainda não tem data para votá-la.

 

O vice-presidente do Parlamento, Ramón Velázquez, disse que o processo para o retorno ou não de Zelaya segue em andamento na Casa, mesmo com as recentes declarações dele. "Estamos obrigados a seguir o trâmite, porque o Congresso tem um compromisso de apoiar o que se acordou no pacto".

 

Da embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado desde 21 de setembro, Zelaya leu uma nota, dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na qual sustenta que para ele o acordo ficou "sem valor nem efeito, por descumprimento unilateral do governo de facto". Zelaya também afirma que não terão valor as eleições presidenciais marcadas para 29 de novembro. Ainda disse que Washington "alterou" sua posição inicial sobre a crise hondurenha.

 

Zelaya qualificou o processo eleitoral como "ilegal", pois "oculta o golpe de Estado militar, e o estado de facto que vive Honduras". O líder deposto disse que o diálogo entre as partes rivais no país serviu apenas para legitimar o governo golpista de Micheletti e debilitar a posição dos EUA.

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