Wilson Pedrosa/AE
Wilson Pedrosa/AE

Governo de facto diz que não há acordo para restituir Zelaya

Restituição era ponto-chave nas negociações que buscam fim da crise em Honduras; conversas irão continuar

estadao.com.br,

14 de outubro de 2009 | 19h37

Os negociadores do governo de facto de Honduras disseram nesta quarta-feira, 14, que não há um acordo para o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder, um ponto-chave nas negociações que buscam resolver a crise política no país. Em comunicado, os representantes de Roberto Micheletti disseram que "até o momento não há nenhum acordo" sobre a restituição. A questão deverá voltar à mesa de negociações na quinta-feira e terá de ser definida até a meia-noite - prazo final imposto por Zelaya para que se chegue a um acordo. 

 

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Mais cedo, os negociadores anunciaram um plano para resolver o impasse, que abordaria inclusive a volta ou não de Zelaya ao poder, mas seu conteúdo não foi divulgado. "Chegamos a um consenso sobre um texto único a respeito do ponto seis (que implica na volta de Zelaya ao poder), mas não posso falar do conteúdo do documento porque estaria descumprindo o compromisso e poderia minar as negociações com Micheletti", disse em entrevista coletiva Victor Meza, um dos negociadores de Zelaya.

 

O plano, então, foi repassado aos presidentes de facto e deposto para avaliação. Pouco depois de negar o acordo, Micheletti revelou que representantes de Zelaya propuseram que o Congresso do país seja o responsável por determinar seu eventual retorno ao poder. "Tenho entendido que o grupo de Zelaya está pedindo que o Congresso seja quem determine se pode retornar ou não" ao poder, declarou o líder de facto, acrescentando que, de qualquer forma, "isso é um assunto legal."

 

As comissões negociadores se reúnem desde a semana passada em busca de uma saída para a crise e asseguram ter encontrado acordos em todos os pontos do pacto de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias.

 

Pouco depois do anúncio, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), expressou "satisfação" pelo avanço nas negociações, e disse ter esperança de que a crise será resolvida, informou a agência France Presse.

 

Zelaya foi destituído do cargo por militares em cumprimento a uma ordem da Suprema Corte do país, em 28 de junho. A ação foi uma resposta à insistência do presidente em realizar um plebiscito para mudar a Constituição e permitir sua candidatura à reeleição. Zelaya foi preso em casa e levado a uma base aérea, onde embarcou para a Costa Rica.

 

Os deputados de Honduras nomearam Roberto Micheletti, líder do Congresso, como novo presidente do país. A ação foi classificada pela comunidade internacional como o primeiro golpe de Estado na América Central desde 1993, quando militares guatemaltecos derrubaram o presidente Jorge Serrano.

 

Mesmo com a pressão de países e entidades internacionais, como a OEA, o governo de facto hondurenho se recusava a restituir Zelaya ao cargo. O presidente deposto, então, retornou secretamente a Tegucigalpa no dia 21 de setembro, e se refugiou na Embaixada do Brasil.

 

As negociações segues baseadas nos 12 pontos do pacto se San José, dos quais oito tocam temas fundamentais e quatro dizem respeito a questões de procedimentos. Entre os pontos que faltam ser acertados está a volta de Zelaya ao poder.

 

Texto atualizado às 20h55.

 

(Com Agência Estado, Associated Press e Reuters)

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