
02 de julho de 2009 | 08h15
O novo governo de Honduras rejeitou pedidos internacionais para reconduzir ao poder o presidente deposto Manuel Zelaya. "Não podemos negociar nada", disse o presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, na noite de quarta-feira, 2, diante da ameaça de o país ser o primeiro expulso da Organização dos Estados Americano (OEA) desde 1962, quando Cuba foi retirada.
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A OEA deu prazo até o fim de semana para que as autoridades hondurenhas dessem passos nesse sentido, dizendo que, caso contrário, o país poderá ser suspenso da entidade. Zelaya, que está no Panamá para a posse do presidente Ricardo Martinelli, adiou o seu plano de voltar ao país nesta quinta-feira e disse: "Eu vou respeitar aquelas 72 horas que a OEA pediu."
"Não podemos chegar a um acordo porque há ordens aqui para capturar o ex-presidente (Manuel) Zelaya por crimes cometidos quando era um oficial", disse Micheletti em entrevista concedida em seu escritório no quase vazio palácio presidencial, atualmente cercado por vários soldados. "Ele nunca voltará ao poder", disse Micheletti sobre Zelaya. "Ele pode voltar após resolver seus problemas (legais). Ele poderia aspirar ser um político no Congresso ou um prefeito de sua cidade", sugeriu Micheletti.
O toque de recolher imposto em Honduras tornou-se ainda mais rigoroso, permitindo a detenção de indivíduos por 24 horas sem acusação, em meio à continuação de protestos pró e contra a reinstauração de Zelaya.
Micheletti voltou a negar que a deposição de Zelaya tivesse sido um golpe de Estado. "O Congresso todo tomou uma decisão e decidiu substituí-lo, e é por isso que é chamado 'sucessão constitucional' e eles me escolheram para substituir Zelaya", afirmou. Micheletti diz estar preocupado com o povo de Honduras. "Temos compromissos com nosso país. Não precisamos chegar a acordos com ninguém", disse. "Se a comunidade internacional considera que cometemos crimes ou algum erro eles podem nos condenar, é isso", acrescentou.
Eleito em 2005 para um mandato não renovável de quatro anos, Zelaya entrou em conflito com a justiça do país, com os militares e políticos ao pedir um referendo, que ocorreu domingo, para mudar a constituição, permitindo assim que exercesse a presidência por um segundo turno. Desde sua deposição, Zelaya tem conseguido apoio internacional, incluindo condenações de sua retirada do poder pela Assembleia Geral das Nações Unidas e do presidente norte-americano Barack Obama, enquanto, em represália, a ajuda internacional ao país está sendo gradualmente suspensa.
Os Estados Unidos suspenderam a cooperação militar com Honduras e disseram que vão decidir na próxima semana se vão suspender a ajuda ao país. O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento suspenderam novos empréstimos para Honduras e alguns países europeus chamaram seus embaixadores em Tegucigalpa de volta.
O diretor da OEA, José Miguel Insulza, condenou o que qualificou como "um golpe no velho estilo", depois de uma reunião de emergência do agrupamento regional na terça-feira. "Nós precisamos demonstrar claramente que golpes militares não são aceitáveis", afirmou.
Se, como prometeu, Zelaya voltar ao país neste fim de semana, ele será preso, disse Micheletti. Zelaya tinha intenção de voltar a Honduras nesta quinta-feira, mas ontem anunciou o retorno em 72 horas. "Neste país, ninguém pode ficar acima da lei. Ele (Zelaya) cometeu tantas violações que chegamos a esta situação extrema", afirmou. "Todo o Congresso tomou uma decisão e decidiu substituí-lo, este é o motivo pelo qual o processo é chamado 'sucessão constitucional' e eles me escolheram" para substituir Zelaya, completou Micheletti.
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