Governo do Haiti fica com um centavo de cada dólar dos EUA

Especialistas em ajuda humanitária não recomendam envio direto de dinheiro ao governo do Haiti

Associated Press,

27 de janeiro de 2010 | 18h49

Apenas um centavo de cada dólar que os Estados Unidos está gastando com o envio de ajuda ao Haiti chega em forma de dinheiro ao governo haitiano, de acordo com um relatório da Associated Press sobre os esforços de ajuda.

 

Veja também:

video Exclusivo: Cenas do cotidiano em Porto Príncipe, Haiti

linkONU quer garantir direitos humanos na reconstrução do Haiti

linkAjuda só chega a 25% dos haitianos, reconhece ONU

 

Apenas duas semanas após o presidente Obama anunciar uma quantia inicial de 100 milhões de dólares em auxílio ao Haiti, os gastos do governo dos EUA com o desastre triplicaram para 317 milhões de dólares, na última contagem.

 

Especialistas em ajuda humanitária dizem que seria um erro mandar uma grande quantia em dinheiro de forma direta ao governo haitiano, que tem um grande histórico de corrupção.

 

"Eu realmente acredito que o povo americano é o mais generoso que já existiu, mas eles querem prestação de contas", disse Timothy R. Knight, um ex-diretor assistente de ajuda humanitária norte-americana que passou 25 anos distribuindo assistência a diversos países. "Nesta situação, eles estão sendo muito deliberados para não apenas jogar dinheiro, mas a analisar, baseados em uma avaliação, e se assegurarem de que o dinheiro está indo para o melhor lugar possível".

 

De cada dólar americano enviado ao Haiti, 40 centavos vai para as forças militares dos EUA no país, destinados à segurança, equipes de resgate e ao navio hospital USNS Comfort.

 

Outros 36 centavos vão para fundos de assistência a desastres, que englobam desde geradores de 5 mil dólares a kits de higiene de 35 dólares.

 

Entregar comida aos haitianos - o que inclui o pagamento de frete, caminhões, centros de distribuição e trabalhadores envolvidos - custa 10,5 centavos de cada dólar.

 

Meio centavo vai para três hospitais na República Dominicana próximos à fronteira com o Haiti, para onde refugiados se dirigem em busca de ajuda. O último centavo vai para o governo haitiano, cujo presidente, René Préval, está dormindo em uma barraca enquanto se esforça para organizar uma administração que foi notoriamente desestabilizada, mesmo antes do terremoto.

 

Os gastos iniciais no desastre eram destinados a salvar vidas; agora, o objetivo é financiar a reconstrução do país caribenho. A administração Obama quer colocar cerca de 1,5 centavo de cada dólar diretamente nas mãos dos sobreviventes do terremoto, por meio da criação de empregos. Um programa de trabalho já em funcionamento paga 3 dólares por dia a 20 mil haitianos para limparem hospitais e latrinas.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.