Governo do México diz que reprimirá atos violentos por estudantes sumidos

Governo do México diz que reprimirá atos violentos por estudantes sumidos

Após reunião com empresários, secretário de Governo afirma que medidas serão tomadas para impedir abusos

Lourival Sant'Anna, enviado especial, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 16h47


IGUALA, MÉXICO - O governo mexicano advertiu que vai conter os protestos pelo desaparecimento de 43 jovens na cidade de Iguala, ocorrido no dia 26 de setembro. “Trabalhamos com diálogo, mas o diálogo tem uma tolerância quando se afetam os direitos dos outros”, disse o secretário do Governo (equivalente ao ministro-chefe da Casa Civil), Miguel Ángel Osorio Chong, em reunião com empresários mexicanos, que se queixaram dos prejuízos causados pela onda de manifestações no país.

Chong acrescentou que todos têm direito de se expressar, mas serão tomadas as medidas necessárias para impedir abusos. Ele argumentou que não são os pais das vítimas, mobilizados para pressionar o governo a descobrir o paradeiro de seus filhos, que estão convocando manifestações violentas, mas sim grupos radicais: “Os pais de família e todos nós queremos encontrar os jovens, queremos saber a verdade e queremos que se castigue quem cometeu esses delitos, e não estão chamando nem à violência nem a esses tipos de ações que prejudicam o resto da sociedade”.

Reunião. Mais de cem representantes dos empresários participaram do encontro com o secretário. Eles se queixaram dos prejuízos causados por saques a empresas e caminhões e pelo bloqueio de estradas. Segundo os empresários, no Estado de Guerrero, os motoristas de 246 caminhões e 42 ônibus foram “sequestrados” pelos manifestantes, desde o desaparecimento dos estudantes, há menos de dois meses. Eles afirmam que 130 mil empresas são afetadas pelos distúrbios no Estado. Em Acapulco, balneário localizado em Guerrero, cujo aeroporto foi bloqueado três vezes pelos manifestantes na semana passada, as reservas de hotéis caíram em torno de 70%.

“Há grupos radicais aos quais não convém que o México tenha crescimento, investimentos, que se gerem empregos e melhores oportunidades, porque esse é o seu mercado”, acusou o presidente do Conselho Coordenador Empresarial, Gerardo Gutiérrez Candiani. Ele pediu que o governo atue “de maneira firme”.

Chong negou que o governo federal tenha demorado a agir depois do desaparecimento dos estudantes: “Chegamos no momento em que a lei permitia, chegamos de maneira imediata”. Os chamados “desaparecimentos”, que na verdade são execuções, em geral cometidas por narcotraficantes e forças policiais atuando de forma clandestina, tornaram-se comuns no México. Enquanto se buscavam os estudantes, foi encontrada uma vala comum com 38 corpos, que eram de outras vítimas. Embora o Estado de Guerrero e a cidade de Iguala, onde ocorreu o massacre, fossem governados pelo Partido da Revolução Democrática (PRD), de oposição, o caso provocou manifestações contra o governo do presidente Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), acusado de não ter adotado medidas para conter o crime organizado e o envolvimento com a polícia.

O governador de Guerrero, Ángel Aguirre, foi afastado do cargo em 24 de outubro. O prefeito de Iguala, José Luis Abarca, e sua mulher, María Ángel Pineda, foram presos no dia 4. 

O prefeito destituído foi acusado pelo Ministério Público de ordenar à Polícia Municipal que impedisse os estudantes de se manifestar durante a festa de apresentação, pela primeira-dama, de seu relatório de gestão do DIF, o órgão de assistência social por ela dirigida. 

María Ángel pretendia candidatar-se a prefeita nas eleições de 7 de junho de 2015. A polícia recebeu a tiros os três ônibus que traziam os estudantes no Zócalo, a praça central da cidade onde se realizava a festa. Os ônibus foram perseguidos até a periferia da cidade, onde foram alvos de intensos disparos. 

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