Governo do Panamá se oferece para mediar crise em Honduras

Chanceler afirma que seu país reconhece Zelaya como presidente, mas mantém contato com governo de facto

06 de julho de 2009 | 20h49

O governo do Panamá se ofereceu nesta segunda-feira, 6, para mediar a crise política em Honduras. O chanceler panamenho, Juan Carlos Varela, afirmou que seu país reconhece José Manuel Zelaya como presidente hondurenho, mas mantém contato com o governo de facto. "Fazemos um pedido de diálogo e estamos dispostos a que nosso país seja um mediador", disse.

 

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O chanceler indicou ainda que o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, irá falar com o chefe de Estado da Costa Rica, Oscar Arias, "para um esforço diplomático" que evite novos enfrentamentos entre partidários de Zelaya e forças de segurança de Honduras, como o que aconteceu no domingo. "Não queremos que a ingerência externa seja para complicar a situação, mas sim para facilitar uma saída para o conflito", acrescentou Varela.

 

Zelaya confirmou nesta segunda, na capital da Nicarágua, que viaja nesta noite para Washington e que na terça se reunirá com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. O presidente deposto disse a jornalistas, em um centro comercial de Manágua, que sairá da Nicarágua rumo à capital americana às 19h (22h, horário de Brasília), depois da tentativa fracassada de retornar a seu país no domingo.

 

O chefe de Estado revelou que, nas reuniões, tratarão sobre o cumprimento das resoluções das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos (OEA) "sobre os preceitos da Carta Democrática do Sistema Interamericano, sobre o respeito aos regimes com origem na vontade popular". Também será discutido sobre as "sanções que estes regimes têm que sofrer em nível internacional, a fim de que estes eventos, como no caso de Honduras, não voltem a acontecer em seus países e em nenhum lugar do mundo", acrescentou Zelaya.

 

"A interrupção pela força de um governo eleito pela vontade do povo é uma violação a todos os princípios dos direitos democráticos dos povos", disse. Além disso, o líder deposto afirmou que voltará a tentar entrar em seu país. "Ontem fiz as tentativas. Logicamente meu erro foi avisá-los, porque prepararam o Exército, franco-atiradores e começaram a assassinar gente. Agora não vou avisar", acrescentou, ressaltando que voltará como "presidente eleito e interino dos hondurenhos."

 

"Vou entrar em Honduras e fazer o que sempre fiz: manifestações públicas, democráticas, abertas e amplas", acrescentou. Zelaya disse também que quando retornar a seu país estará em "muitos lugares permanentemente, até que possa reintegrar e garantir o retorno do regime eleito pela vontade do povo."

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