Governo e oposição da Bolívia iniciam diálogo político decisivo

O presidente Evo Morales e oito dosnove governadores bolivianos iniciaram nesta quinta-feira umdiálogo a portas fechadas em busca de acordos para superar umlongo e violento conflito político que nas últimas semanasameaçou dividir o país. O encontro, em um centro de convenções na periferia dacidade central de Cochabamba e iniciado com quase duas horas deatraso às 08h50 (9h50 de Brasília), acontecia enquanto anormalidade retornava a grande parte do país, após uma onda deprotestos anti-governo que deixou pelo menos 17 mortos. "Esta é talvez a última oportunidade de resolver osproblemas nacionais em paz", disse ao chegar à reunião ogovernador do Departamento sulista de Tarija, Mario Cossío,porta-voz dos distritos opositores que reclamam autonomia erejeitam uma nova Constituição indigenista-socialistaimpulsionada por Morales. Não foi divulgada a programação do encontro, embora opresidente Morales tenha dito previamente que pretendia queeste transcorresse sem interrupções para produzir um acordoantes de 30 dias. Os Departamentos de Santa Cruz, a capital econômica dopaís, Beni, Pando e Tarija lideraram nas últimas três semanasuma onda de protestos que incluiu violentas invasões derepartições públicas, bloqueios de estradas e sangrentosenfrentamentos com seguidores de Morales. Os distritos, que concentram a maior parte da riqueza doempobrecido país, se opõem à nova Constituição, que aprofunda anacionalização da economia, dá mais poder à maioria indígena ecombate os latifúndios, especialmente nas terras baixas doleste da Bolívia. Após a onda de violência, a oposição decidiu aceitar umconvite do governo ao diálogo, que inclui dar mais poder aosdepartamentos opositores e lhes devolver parte da arrecadaçãode um imposto sobre os hidrocarbonetos. Em troca, a oposição deveria aceitar que Morales, que nasegunda-feira recebeu um forte apoio dos mandatáriossul-americanos em uma cúpula da Unasul em Santiago, no Chile,consulte a população sobre sua nova carta magna. "O governo está certo de que é possível um acordo quegaranta a continuidade do processo de mudanças, começando pelanova Constituição, e ao mesmo tempo responda às demandasregionais de autonomia," disse o vice-ministro deDescentralização, Fabián Kaksic.

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