Governo e oposição se culpam por violência na Venezuela

O governo e a oposição trocaram acusações na segunda-feira por causa de um tiroteio que deixou feridos durante um evento de campanha eleitoral na Venezuela.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

05 de março de 2012 | 17h11

Partidários do candidato oposicionista Henrique Capriles disseram que militantes ligados ao presidente socialista Hugo Chávez abriram fogo quando o candidato e seus seguidores caminhavam no bairro de Cotiza, na periferia de Caracas.

Dois partidários de Capriles, inclusive o filho de um parlamentar anti-Chávez, ficaram feridos, segundo a oposição.

Autoridades governamentais de alto escalão disseram que o relato da oposição é mentiroso, e que os guarda-costas de Capriles iniciaram o tiroteio no domingo, deixando quatro feridos.

Chávez, que está em Cuba se tratando de um câncer, não se pronunciou. Ele concorre em outubro a um novo mandato, na que deve ser a mais acirrada disputa desde que ele foi eleito pela primeira vez, em 1998.

Governo e oposição usaram seus canais de TV para exibir repetidamente imagens em diferentes ângulos, tentando corroborar sua versão dos fatos. Em todas elas, é possível ouvir disparos e ver gente correndo.

"Enquanto esse governo debate com armas, nós debatemos com ideias", disse o centro-esquerdista Capriles, de 39 anos, após o incidente. "Do que eles estão com medo?"

O ministro do Interior, Tareck el Aissami, prometeu uma investigação do incidente, mas disse que policiais do Estado de Miranda - governado por Capriles - estariam agindo sem autorização fora da sua circunscrição, e teriam atacado partidários do governo envolvidos em outra atividade.

"Foram eles os promotores da violência", afirmou. "Eles decidiram montar esse show durante a aborrecida atividade do candidato da direita, que não conseguiu atrair nem dez pessoas."

Além da polarização política na Venezuela, o país tem um grave problema de criminalidade, com armas em abundância em bairros pobres como Cotiza. Em novembro, uma comitiva da política oposicionista María Corina Machado foi alvejada numa favela de Caracas.

Contribuindo para o clima de incerteza política no país, Chávez anunciou que precisará se submeter a um novo tratamento radioterápico contra o câncer. Ele já havia retirado um tumor em 2011, e voltou a passar por cirurgia na semana passada, embora insista que não tem metástase.

Analistas dizem que a doença, ainda que motive solidariedade, pode ser ruim para as aspirações eleitorais de Chávez, diante de um candidato que exala jovialidade e energia.

Animados com a perspectiva de um governo mais pró-mercado, os títulos venezuelanos mantiveram sua trajetória de alta. O principal deles, o global 2027, negociado em dólar, teve alta de 1,57 por cento na segunda-feira.

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