Governo e oposição se preparam para ruptura total na Bolívia

O governo de Evo Morales e a oposiçãoboliviana se encaminham na quarta-feira para uma ruptura total,com ameaçam mútuas do uso de força e o anúncio de que quatrodos nove Departamentos (Estados) vão declarar sua autonomia. Após chamarem Morales de "cínico" por propor uma trégua, osgovernadores oposicionistas reiteraram a rejeição ao projeto"plurinacional" de Constituição aprovado no domingo pelaAssembléia Constituinte, e disseram que manterão seus planosautonomistas. Morales insiste no diálogo e o ministro de Governo, AlfredoRada, alertou que "se isso fracassar, as instituições de forçalegal atuarão". É a mais enérgica declaração do governo atéagora contra as "tentativas separatistas", como qualificouRada. Os governadores dos Departamentos de Santa Cruz, Tarija(produtores de gás, no leste), Beni e Pando (no norteamazônico) anunciaram que no sábado, dia 15, colocarão em vigoros estatutos de autonomia, à margem da atual Constituição. Os governadores de La Paz e Cochabamba, tambémoposicionistas, manifestaram a intenção de seguir a tendênciaautonomista. Já os governos de Chuquisaca, Potosí e Oruro(governistas) não se manifestaram. Também no sábado, o governo prepara uma grande manifestaçãopopular em La Paz para a entrega da nova Constituição aMorales. "Não admitiremos que nenhum governador, prefeito oudirigente cívico possa atentar contra a unidade da pátria, issoestá claro, e é um dever constitucional de todo cidadãoboliviano combater semelhantes atos de sedição e separatismo",disse o vice-ministro de Governo, Rubén Gamarra. O governo enviou reforços policiais a Santa Cruz, para"resguardo das instituições públicas", segundo Alex Contreras,porta-voz de Morales. Os governadores oposicionistas instalaram na quarta-feiraassembléias de representantes regionais para aprovar osestatutos autonômicos, que dariam às autoridades locais ocontrole sobre impostos e distribuição fundiária. A imprensaregional diz que desde a semana passada há órgãos públicosocupados. O ministro Rada disse que o governo acredita que "no finalhaja diálogo e se preserve a paz". Rada renunciou na noite de quarta-feira, após sofrer umamoção de censura do Senado por causa de distúrbios ocorridos emnovembro em Sucre (sul). No mesmo ato, foi ratificado porMorales em seu cargo. O mesmo ocorreu com dois outros ministros censurados noSenado, onde a maior bancada é do partido Podemos (direita),acusado pelo governo de estimular os planos autonomistasregionais para provocar instabilidade política. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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