Governo e oposição trocam acusações pesadas na Bolívia

Evo receberia cheques da Venezuela para subornar militares; EUA pagariam jornalistas para atacar governo

Agência Estado e Associated Press,

03 de setembro de 2007 | 18h50

O ex-presidente da Bolívia, Jorge Quiroga, e atual líder da oposição, afirmou nesta segunda-feira, 3, que o governo do presidente Evo Morales recebe cheques do regime venezuelano para subornar militares bolivianos e assim assegurar a sua fidelidade. Já o ministro da Casa Civil acusou os Estados Unidos de pagarem jornalistas para atacar Evo e o governo. Quiroga, que presidiu a Bolívia em 2001 e 2002, deu declarações à imprensa em Santa Cruz, onde disse que os cheques "assinados pelo embaixador venezuelano", são entregues pelo próprio Evo "para subornar a guarnições militares." As declarações de Quiroga foram também difundidas pela emissora de TV Bolivisión, em cadeia nacional. A denúncia alimentou a crise política que a Bolívia atravessa, por causa dos desacordos e brigas na Assembléia Constituinte e da tentativa de Morales em processar parte dos juízes do Tribunal Constitucional (TC). Quintana, o ministro da Casa Civil, denunciou no domingo que o governo dos EUA usa parte dos recursos de ajuda à Bolívia para subornar a jornalistas e colunistas de veículos da mídia local, em uma suposta tentativa de desestabilizar Evo. "Através desse programa são pagos jornalistas, colunistas e consultorias que criam cenários de conflitos. É justamente esse programa de ajuda que desestabiliza a democracia," denunciou Quintana. Ele não citou nomes. A confrontação entre governo e oposição levou o prefeito (governador) de Cochabamba, Mandred Reyes Villa, a pedir a renúncia de Evo Morales nesta segunda-feira. Reyes disse que o governo de Evo é "uma ditadura sindical" que estaria levando a Bolívia "ao enfrentamento e à guerra civil". Ele denunciou que esse processo responde pelo recente fechamento de um canal de televisão da oposição.Não obstante, Quiroga indicou que o pedido de Reyes para que Evo Morales renuncie é "pouco inteligente", porque também aumentará a pressão de entidades e partidos vinculados ao oficialismo para que prefeitos e governadores da oposição renunciem. Reyes disse que foi o próprio presidente quem começou o costume de pedir a renúncia dos mandatários, ao clamar pela saída dos presidentes Hugo Bánzer (1997-2001), Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-2003) e Carlos Mesa (2003-2005). Reyes instou Evo a se submeter a um referendo revogador do seu mandato.

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