Governo e rebeldes da Colômbia iniciam negociação de paz em Oslo

Uma histórica reunião a portas fechadas marcou na quarta-feira o início do processo de paz entre o governo da Colômbia e a guerrilha Farc, segundo autoridades da Noruega, país que abriga esta fase do diálogo.

HELEN MUR, Reuters

17 de outubro de 2012 | 17h11

O presidente Juan Manuel Santos espera que, após dez anos de ofensiva militar patrocinada pelos Estados Unidos, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia estejam suficientemente enfraquecidas a ponto de buscarem a paz com mais seriedade do que em tentativas anteriores.

Os negociadores de ambas as partes foram encaminhados para uma ala VIP do aeroporto de Oslo e levados para um local não revelado, por volta de meio-dia, e a imprensa está completamente vetada nas reuniões programadas para quarta e quinta-feira, segundo a chancelaria norueguesa.

Os participantes devem falar com a imprensa na quinta-feira, mas não está claro se aparecerão juntos na entrevista coletiva.

Santos, ex-ministro da Defesa, anunciou em setembro que os dois lados negociaram em Cuba os termos para uma pauta preliminar, que previa o início das discussões em Oslo e sua posterior transferência para Havana.

Os cinco itens da pauta incluem assuntos delicados, como o narcotráfico, os direitos das vítimas do conflito, a propriedade fundiária, a participação política das Farc e o fim da guerra civil, que já dura quase cinco décadas.

Apesar das negociações, militares e rebeldes mantêm seus ataques, e as Farc recentemente atingiram instalações de energia e mineração. Santos rejeitou uma oferta de cessar-fogo durante o processo de paz.

Além de ser uma vitória pessoal para o presidente, o eventual sucesso das negociações deve aumentar a presença da Colômbia nas carteiras dos investidores, após o país passar anos sendo considerado um dos mais perigosos lugares do mundo para visitar ou fazer negócios.

Em 2002, por exemplo, o investimento estrangeiro direto na Colômbia foi de apenas 2 bilhões de dólares, enquanto neste ano deve alcançar os 17 bilhões.

Mas a eventual paz com as Farc não significaria de forma alguma o fim da violência na Colômbia, onde narcotraficantes e outros criminosos comuns - muitos deles oriundos da desmobilização de grupos paramilitares de direita - continuam operando.

Embora a maioria dos colombianos aprove as negociações, pesquisas mostram que mais de metade se oporia a um acordo que permita a participação de líderes das Farc na política, ou que anistie crimes cometidos durante o conflito.

Noruega e Cuba concordaram em atuar como países garantes das negociações, e representantes de Venezuela e Chile estarão presentes como observadores.

(Reportagem adicional de Carlos Vargas)

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