Governo Evo quer punir jornalista que entrevistou opositor

Húngaro falou com suposto líder de grupo terrorista; vice-ministro diz que 'silêncio cúmplice' representou risco

Efe,

24 de abril de 2009 | 20h57

O governo de Evo Morales anunciou nesta sexta-feira, 24, ações legais contra o jornalista húngaro que entrevistou Eduardo Rózsa Flores, o suposto líder de um grupo terrorista internacional desarticulado na semana passada na Bolívia. O vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Sacha Llorenti, explicou à imprensa que serão tomadas "todas as ações legais" necessárias "dentro e fora do país" contra o jornalista, porque seu "silêncio cúmplice" colocou "em risco a integridade da pátria."

 

András Kepes, diretor da televisão pública da Hungria, entrevistou Rózsa Flores em 8 de setembro de 2008, antes que este viajasse à Bolívia. A entrevista foi transmitida na última terça-feira na Hungria, após a morte de Rózsa Flores, que tinha pedido ao jornalista que só fosse ao ar se algo acontecesse com ele.

 

Nela, o opositor explicava que o motivo de sua viagem à Bolívia era organizar a defesa militar de Santa Cruz, sua região natal, com a meta de alcançar a independência do departamento através de "métodos pacíficos, mas mostrando força."

 

O governo da Bolívia considera que a atitude do jornalista húngaro significa, "pelo menos, encobrimento de uma situação que atenta à segurança do país", disse hoje Llorenti, que destacou a necessidade de que o fato não fique "na impunidade". O vice-ministro lembrou que, segundo o direito internacional, os que "colaboram ou encobrem situações que têm a ver com fatos de terrorismo devem ser processados e punidos."

 

Para Llorenti, o que o jornalista deveria ter feito é "imediatamente denunciar o fato às autoridades húngaras e estas, obviamente, levar ao conhecimento das autoridades bolivianas". Rózsa Flores foi morto em uma operação policial na qual também morreram Árpád Magyarosi (romeno de origem húngara) e Dwyer Michael Martin (irlandês), e na qual foram detidos Mario Francisco Tadic Astorga (boliviano, com passaporte croata) e Elod Tóásó (húngaro).

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