Governo paraguaio pede estado de exceção no norte do país

Região abriga grupo responsável por sequestros e suspeito de quatro mortes

estadão.com.br

22 de abril de 2010 | 13h17

ASSUNÇÃO - O governo paraguaio solicitou ao Congresso nesta quinta-feira, 22, a declaração de um estado de exceção no norte do país, após a morte de um policial e de três civis em um ataque de um grupo armado de esquerda, informou uma fonte oficial.

 

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, quer que o Congresso aprove uma lei que permita o governo de emitir ordens de prisão e o banimento de reuniões públicas e protestos nas províncias de Concepción, San Pedro, Amambay, Alto Paraguay e Presidente Hayes, estes últimos na região oeste, fazendo fronteira com o Brasil e a Bolívia.

 

Na quarta a noite, Lugo convocou as autoridades do Ministério da Defesa, do Interior e da Polícia para analisar as medidas a adotar após a morte das quatro pessoas em uma emboscada em uma fazenda num distrito da localidade de Horqueta, 380 quilômetros ao norte de Assunção, em Concepción.

 

Nessa região opera o autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), cujos membros são procurados pela Polícia por famosos casos de sequestro. Autoridades policiais e do governo dizem que cerca de 100 membros do grupo agem da região produtora de maconha.

 

O grupo, suspeito de ter laços com os esquerdistas rebeldes da Colômbia pertencentes às FARC, é acusado de pelo menos 4 sequestros desde 2001.

 

"Nós pedimos para que o projeto de lei para seja tratado com urgência devida a situação que estamos vendo no país ... e também que as Forças Armadas tenham a liberdade que precisam para agir, " disse Lugo aos repórteres no Congresso.

 

Lugo, um ex-esquerdista e bispo católico, tem tentado aprovar leis através da do Congresso controlado pela oposição, mas já era esperado que o projeto de emergência fosse aprovado.

 

"Temos uma crise de segurança em nossas mãos", disse o líder do Congresso Miguel Carrizosa. "Está claro que estas pessoas (a EPP) não brincam e nós concordamos que medidas severas são necessários."

 

A última vez que uma medida similar foi imposta no Paraguai aconteceu em 2002, devido a violentas manifestações anti-governo contra o ex-presidente Luis González Macchi.

 

Esse tipo de medida foi utilizado com frequência durante a ditadura de 35 anos do general Alfredo Stroessner, que terminou em 1989. Com informações da EFE e Reuters.

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