Greve geral começa com violência na Bolívia

Partidários do governo e da paralisação entram em confronto; manifestação atinge seis dos nove departamentos

Efe,

28 de agosto de 2007 | 12h14

Uma greve geral convocada para esta terça-feira, 28, contra o governo do presidente Evo Morales começou com violentos incidentes durante a madrugada nas cidades de Santa Cruz e Cochabamba. O protesto acontece em seis dos nove departamentos bolivianos. Os canais de televisão mostraram imagens dos confrontos entre os partidários da paralisação e do governo, o apedrejamento de veículos, ataques a lojas e restaurantes abertos e saques, inclusive em Santa Cruz, maior cidade do país e onde predomina a oposição ao governo Morales. O ministro de Interior, Alfredo Rada, declarou ao canal ATB que as imagens da violência "injustificável" comprovariam uma prática com a finalidade de obrigar o governo a acatar uma medida sem consenso. "Isso não é defesa da democracia", acrescentou. Rada anunciou ainda a prisão de três manifestantes em Cochabamba, quarta cidade mais populosa do país, que levavam panfletos material para promover a paralisação. Grupos de manifestantes interromperam desde a madrugada o tráfego de veículos enquanto entoavam gritos como "viva a democracia, morra Evo, morra Chávez", em referência ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, aliado do governo boliviano. Os protestos acontecem um dia depois em que grupos políticos trocaram acusações de receber apoio estrangeiro, citando países como Estados Unidos, Cuba e Venezuela. Os grevistas exigem a mudança da postura política de Morales, especialmente em relação ao julgamento de quatro magistrados do Tribunal Constitucional, e justificam o movimento pela "defesa da democracia", Morales, por sua vez, acusa os organizadores de defender os privilégios da oligarquia e de racismo. "Pensam dia e noite em como derrubar este índio". Os atos mais violentos foram registrados em Santa Cruz, onde piquetes da União Juvenil Cruceñista, grupo revolucionário que atua no departamento, patrulharam as ruas armados com pedaços de madeira. Os manifestantes atiraram pedras e outros objetos, atacaram com violência os estabelecimentos que permaneciam em funcionamento e entraram em choque com grupos de vendedores pró-governistas. Dirigentes cívicos de Santa Cruz repudiaram os atos violentos e pediram calma para os radicais. As câmeras mostraram ruas e avenidas desertas em Santa Cruz, Cochabamba e Sucre, capital oficial do país, onde a greve tem o apoio da população interessada que o local volte a sediar o governo e o Parlamento boliviano, atualmente instalado em La Paz.

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