Greve na Argentina complica abastecimento de combustível

Os postos de gasolina na Argentina começaram a ficar com pouco combustível nesta quinta-feira à medida que os caminhoneiros em greve bloqueavam depósitos e refinarias em um dos maiores desafios sindicais ao governo da presidente Cristina Kirchner.

HELEN PO, REUTERS

21 de junho de 2012 | 13h51

A greve de três dias dos caminhoneiros de combustível deve terminar na sexta-feira, mas o chefe sindical, Hugo Moyano, que lidera a federação trabalhista CGT, prometeu anunciar uma greve nacional de todos os caminhoneiros. Ele dará uma entrevista coletiva nesta quinta-feira para detalhar o alcance do protesto.

Cristina retornou mais cedo ao país de uma viagem ao exterior devido ao protesto do sindicato dos motoristas de caminhão -temido pelos governos por sua capacidade de colocar a terceira maior economia da América Latina em um impasse.

Ela enviou a polícia militar para proteger depósitos de combustíveis e refinarias de petróleo bloqueadas por caminhoneiros e implementou planos de abastecimento de emergência em um esforço para evitar o desabastecimento, uma situação que não é vista desde uma rebelião por parte dos agricultores em 2008.

"Atualmente, o fornecimento de combustível caiu 70 por cento", disse Luis Malchiodi, presidente da Federação das Entidades de Combustível da província de Buenos Aires (FECOBA). "Ao meio-dia de amanhã, praticamente não haverá nada restante em qualquer lugar."

Rosario Sica, o chefe de outro grupo da indústria, disse que "se a greve dos caminhoneiros de combustível continuar, haverá problemas amanhã".

O governo abriu uma queixa-crime sobre a greve e multou o sindicato dos caminhoneiros em quatro milhões de pesos por desafiarem uma ordem para negociar, o que provocou a ira de Moyano, cujo filho comanda o sindicato. Os dois homens estão em desacordo com Cristina.

Moyano costumava ser um aliado próximo da presidente, mas sua aliança estratégica entrou em colapso no último ano, aumentando a ameaça de problemas trabalhistas.

Vários outros sindicatos prometeram apoio aos caminhoneiros.

Se a greve de três dias terminar como planejado ao meio dia de sexta-feira, graves complicações para o transporte de grãos e refinarias de petróleo são improváveis.

A Argentina é um dos maiores exportadores mundiais de grãos e a grande maioria dos produtos agrícolas é enviada aos portos de caminhão. Os agricultores, que estão próximos do fim da colheita da soja e milho deste ano, também são grandes consumidores de combustível.

O sindicato dos caminhoneiros lançou seu protesto visando a distribuição de combustível para exigir um aumento salarial de 30 por cento e reduções de imposto de renda.

A inflação anual está estimada em cerca de 25 por cento na Argentina, provocando agitação trabalhista à medida que a economia esfria depois de um longo boom.

A greve reflete também a briga por posição dentro da CGT -que realiza eleições no próximo mês- e dentro do partido peronista fragmentado de Cristina, afirmam analistas políticos.

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