AP Photo/Arnulfo Franco
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Grupo de ex-presidentes exige que Venezuela liberte 'presos políticos'

Declaração foi assinada por 25 ex-presidentes, entre eles o costa-riquenho Óscar Arias, vencedor do prêmio Nobel da Paz; o mexicano Felipe Calderón; o colombiano Andrés Pastrana e o espanhol José María Aznar

O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 19h48

Um grupo de ex-presidentes exigiu nesta quinta-feira, 9, do governo da Venezuela a libertação de "presos políticos" e a realização de eleição legislativas "livres" no país sul-americano, assolado por uma crise econômica e política.

A declaração foi apresentada na véspera da abertura da Cúpula das Américas, que ocorre sexta-feira e sábado no Panamá, e foi assinada por 25 ex-presidentes, entre eles o costa-riquenho Óscar Arias, vencedor do prêmio Nobel da Paz; o mexicano Felipe Calderón; o colombiano Andrés Pastrana e o espanhol José María Aznar.

"Estamos exigindo a imediata libertação dos opositores, que os venezuelanos votem livremente e uma mudança nas políticas de Estado em relação aos Direitos Humanos e ", disse Pastrana, acrescentando que a iniciativa foi tomada devido à deterioração "alarmante" da democracia e do avanço da corrupção na Venezuela.

O documento faz referência à situação do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, e do líder de oposição Leopoldo López, que estão presos sob a acusação de organizarem um complô para derrubar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, herdeiro político do falecido Hugo Chávez.

"Essa é uma grande oportunidade, porque este grupo de ex-presidentes, de diferentes ideologias, se uniu... por entender que os venezuelanos precisam de ajuda internacional", disse Mitzy Capriles, mulher de Ledezma, que esteve presente ao ato de divulgação da declaração, ao lado de Lilian Tintori, mulher de López.

Ledezma foi acusado nesta semana de conspiração pela promotoria e deve ir a julgamento enquanto ainda está na prisão, após ter sido detido em fevereiro. López está há mais de um ano detido na mesma penitenciária militar de Ramo Verde.

A cúpula, marcada pela incipiente reaproximação entre Estados Unidos e Cuba, também será cenário para a crescente tensão entre Washington e Caracas, após a Casa Branca ter qualificado a Venezuela como uma ameaça à segurança nacional, podendo assim aplicar sanções em decorrência da corrupção e da violação dos direitos humanos.

A aprovação de Maduro, que caiu muito desde que assumiu o poder há dois anos à medida que a crise econômica piorou no país, se recuperou ligeiramente em março, segundo dados da consultoria Datanálisis num estudo realizado após a decisão de Obama.

Analistas garantem que Maduro ganhou popularidade ao reivindicar e recolher quase 10 milhões de assinaturas na Venezuela contra a ordem executiva do presidente americano, que também levou à aplicação de sanções contra sete autoridades do governo por violar os direitos humanos.

Maduro, que está disposto a levar as assinaturas à Cúpula das Américas no Panamá, garantiu no mês passado que "faça chuva ou faça sol" as eleições legislativas vão ocorrer neste ano, numa disputa em que a oposição tem uma boa chance de assumir o controle do Congresso Nacional, hoje nas mãos de forças aliadas ao governo.

"Pode ser equivocada ou imprecisa nossa estratégia. Mas preferimos errar fazendo coisas a favor da Venezuela, preferimos agir, preferimos falar, preferimos pedir, a calar ou olhar para o outro lado", afirmou Calderón. / REUTERS

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