Alex Cruz/Efe
Alex Cruz/Efe

Grupo mexicano pede que TPI investigue presidente Calderón

Ativistas alegam que político, assim como líder do tráfico, deixa que subordinados matem e torturem

Reuters

25 de novembro de 2011 | 14h49

HAIA - Ativistas mexicanos em direitos humanos querem que o Tribunal Penal Internacional (TPI) investigue o presidente Felipe Calderón, autoridades do alto escalão e o traficante de drogas mais procurado do país, acusando-os de permitir que seus subordinados matem, torturem e sequestrem civis.

Netzai Sandoval, advogado mexicano especializado em direitos humanos, entrou com uma ação no TPI em Haia na sexta-feira, 25, solicitando uma investigação sobre a morte de centenas de civis sob as mãos dos militares e dos traficantes de drogas no México, onde mais de 45 mil pessoas morreram em decorrência da violência associada às drogas desde 2006.

"A violência no México é maior do que a no Afeganistão e na Colômbia", afirmou Sandoval. "Queremos que o procurador nos diga se foram cometidos crimes de guerra e crimes contra a humanidade no México, e se o presidente e outras autoridades são responsáveis."

Assinada por 23 mil cidadãos mexicanos, a petição cita o chefão do cartel de drogas Sinaloa, Joaquin "El Chapo" Guzman, cujo prêmio por sua cabeça é de US$ 5 milhões, o ministro da Segurança Pública Genaro Garcia Luna e os comandantes do Exército e da Marinha do México.

Os advogados pediram que o TPI, a primeira corte mundial para crimes de guerra, abra uma investigação formal sobre crimes de guerra e crimes contra a humanidade no México.

Uma decisão dos promotores do TPI de abrir ou não um inquérito pode levar meses ou até anos, afirmam especialistas em direito. O TPI já investigou crimes como genocídio, homicídio, alistamento de crianças para atuarem como soldados e estupro - em sua maioria, na África.

O governo mexicano negou as acusações e disse que o policiamento não pode constituir um crime internacional. "Em nosso país, a sociedade não é vítima de um governo autoritário ou de abusos sistemático pelas forças armadas", disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado em outubro, quando a petição se tornou pública. "No México, há o Estado de direito no qual o crime e a impunidade são combatidos sem exceção", afirmou o comunicado.

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