Guatemala terá segundo turno entre ex-militar e empresário

Centrista promete combater pobreza; ex-oficial da inteligência propõe 'linha dura' contra criminalidade

Agência Estado e Associated Press,

10 de setembro de 2007 | 20h26

Os guatemaltecos terão que voltar às urnas no dia 4 de novembro para escolher seu novo presidente. O primeiro turno deste domingo definiu que a disputa ficará entre o empresário Alvaro Colom, candidato de política centrista, que obteve 28,33% dos votos, e o conservador ex-oficial de inteligência militar Otto Pérez, que alcançou 23,7% dos votos. Como nenhum dos 14 candidatos obteve 50% dos votos mais um sufrágio, haverá segundo turno.   A votação de domingo registrou atos de violência. Pelo menos uma pessoa foi morta a tiros, no município de San Miguel de Tucurú, 150 quilômetros ao norte da capital, a Cidade da Guatemala.   Ocorreram distúrbios e tumultos em pelo menos dez municípios. No período de campanha anterior ao primeiro turno foram mortas 50 pessoas, o dobro do número de pessoas assassinadas nas últimas eleições na Guatemala em 2003.   Colom compete pela Unidade Nacional da Esperança (UNE) e promete combater a pobreza, enquanto Pérez, do Partido Patriota, oferece "linha dura" na luta contra a criminalidade em um dos países mais violentos das Américas. Cerca de 5,000 pessoas são assassinadas por ano na Guatemala.   Com 96,18% das urnas apuradas, Colom tinha nesta segunda-feira 895.513 votos (28,33% do total), seguido por Pérez, que tinha 751.620 votos (23,78% dos sufrágios).   Em terceiro lugar ficou o candidato do governo, Alejandro Giammatei, com 17,09% dos votos.   Pérez, que disputa pela primeira vez uma eleição presidencial, conseguiu que a intenção de voto na sua candidatura crescesse rapidamente ao prometer "linha dura" contra a criminalidade e a violência.   Já seu rival Colom promete combater a pobreza e a desigualdade que imperam no país. Ele terá o foco da sua campanha para o segundo turno em pedir aos guatemaltecos que impeçam a volta do país "ao passado militarista."   "Era o que esperávamos, dois pontos para cima ou dois para baixo. Está dentro da nossa projeção e nos estimula a trabalhar mais para o segundo turno," disse hoje Pérez, ao comentar os resultados.   Os dados, anunciados pelo Supremo Tribunal Eleitoral, correspondem à apuração de 13.230 mesas, de um total de 13.752 instaladas em 2.060 centros de votação, sobre um total de 5,9 milhões de eleitores.   A prêmio Nobel da Paz de 1992 e candidata à presidência pelo partido Encontro pela Guatemala, Rigoberta Menchú, recebeu 3,05% dos votos e ficou em sexto lugar. Ela culpou o racismo e a interferência dos meios de comunicação nas pesquisas de intenção de voto pelo fraco resultado.   As autoridades informaram que ocorreram protestos e episódios violentos em pelo menos 10 dos 332 municípios do país - onde foram queimadas urnas, cabines de votação e edifícios públicos, por causa de disputas locais nas eleições para prefeitos.   Além de presidente, os guatemaltecos votaram para eleger 158 deputados e 322 prefeitos. Cerca de 65% dos eleitores compareceram ao sufrágio, enquanto a média nacional por eleição é de 57% de participação.

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