Guerra afetou relação entre argentinos e britânicos por 10 anos

Em 1999, países assinaram acordo que permitia a entrada de argentinos nas Malvinas, vetada desde 1982

estadao.com.br - Pesquisa: Rose Saconi/Arquivo do Estado,

23 de fevereiro de 2010 | 15h55

No fim da noite do dia 1.º de abril de 1982 começou a invasão   argentina às Ilhas Malvinas, ou Falklands para os ingleses. A sanguinolenta Junta Militar - que desde 1976 havia assassinado 30 mil pessoas, entre elas opositores do regime, crianças e velhos - comandava o país na época e era encabeçada pelo general Leopoldo Galtieri.

 

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Para o registro histórico, no entanto, o dia 2 de abril é o que vale.  Nessa data, ao raiar do sol, os comandos argentinos que haviam desembarcado perto de Port Stanley atacaram a aldeia, invadindo suas ruas e tomando por surpresa a casa do governador britânico das ilhas.  No dia da invasão, morreu um argentino. Até o fim da guerra, morreriam 649.

 

A imensa maioria dos argentinos havia ouvido desde criança: "As Malvinas são argentinas." A frase era repetida à exaustão nas escolas primárias, secundárias e nas universidades.

 

A invasão de Galtieri começou dias antes com um incidente ocorrido em um arquipélago vizinho, as Ilhas Geórgias, em posse dos ingleses, e que também são reivindicadas pela Argentina. O incidente nessas ilhas começou entre soldados britânicos e um grupo de operários argentinos que trabalhavam para uma empresa de Constantino Davidoff, um polêmico empresário argentino de intensos vínculos com a ditadura.

 

O argumento inicial da Junta Militar foi que era necessária uma intervenção para proteger seus cidadãos. Diversos ex-integrantes do governo militar, historiadores e veteranos da guerra alegam hoje que a intenção de Galtieri era ocupar as Ilhas Malvinas e negociar depois.

 

As relações diplomáticas entre os dois países ficaram rompidas durante quase uma década. No dia 14 de julho de 1999,a Argentina e a Grã-Bretanha assinaram um acordo que permitirá que cidadãos argentinos possam entrar nas Ilhas Malvinas. Desde a derrota na guerra de 1982, a entrada de argentinos estava proibida.

 

O acordo também determinou o restabelecimento de voos comerciais entre os dois países, o desembarque de cargas e correio, além da coordenação do combate à pesca ilegal no Atlântico Sul.

O texto foi o resultado de longas negociações realizadas entre argentinos e britânicos desde o início da década, apressadas nos últimos meses pelo isolamento que o arquipélago passou a ter, desde que o Chile suspendeu os voos que abasteciam as ilhas. A decisão chilena foi tomada por causa da detenção em Londres do ex-ditador Augusto Pinochet. 

 

Por tabela, o boicote favoreceu a Argentina, mas teve sucesso absoluto quando o Brasil e o Uruguai, seus sócios no Mercosul, proibiram escalas de aviões britânicos com destino às ilhas. O alto custo do abastecimento desde a Grã-Bretanha resultou em fortes pressões sobre os kelpers, como são denominados os habitantes das ilhas, que finalmente concordaram em ceder em suas restrições com os argentinos.

 

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