Guerra civil na Colômbia continua afetando crianças, diz ONU

As crianças continuaram sendo vítimas deassassinatos, torturas e violência sexual na Colômbia em 2007,tanto por parte das Forças Armadas quanto de grupos ilegais,que continuam recrutando-as como combatentes e informantes,segundo relatório divulgado na terça-feira pela ONU. O texto, publicado anualmente e intitulado "As crianças eos conflitos armados", acusa as guerrilhas Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de LibertaçãoNacional (ELN), além de novos grupos paramilitares vinculadosao tráfico e o Exército, de recrutar e usar crianças nosconfrontos. "Os membros das Farc costumam visitar escolas parapersuadir as crianças a se unirem a suas fileiras", disse orelatório, que fez acusações parecidas ao ELN. "As Forças Armadas do governo utilizaram crianças com finsde inteligência, apesar da política oficial do governo contraisso", afirmou o texto, que citou alguns fatos concretosenvolvendo os vários grupos armados dessa guerra civil. De acordo com a ONU, numa zona de selvas do Departamento doChocó houve casos de soldados que deram comida a crianças emtroca de que fizessem a limpeza e manutenção das suas armas. "Cada vez existe uma preocupação maior pelas denúncias deviolações e abusos cometidos contra crianças por novos gruposarmados ilegais organizados, muitos envolvidos em atividadesdelitivas relacionadas fundamentalmente com o tráfico dedrogas", disse o relatório. A ONU citou estatísticas do Instituto de Medicina Legal eCiências Forenses, segundo as quais pelo menos 37 criançasforam mortas no ano passado pelas forças de segurança dogoverno, e que houve também execuções extrajudiciais. O documento também acusa as Farc e o ELN pela morte esequestro de crianças, mas sem citar números.

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