Guerrilha colombiana rejeita missão médica francesa

A maior guerrilha de esquerda daColômbia rejeitou nesta terça-feira uma missão enviada pelaFrança para dar atendimento médico à ex-candidata presidencialIngrid Betancourt e a outros reféns que estão doentes,enterrando a expectativa de uma eventual libertação rápida dapolítica. O anúncio das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc) representa um golpe ao presidente francês, NicolasSarkozy, de tentar ter acesso à política franco-colombiana,sequestrada há mais de seis anos pelos rebeldes e em estadograve de saúde. O caso virou uma prioridade na políticainternacional de Sarkozy. "A missão médica francesa não é procedente e muito menosquando não é resultado da concertação, mas da má-fé de (Álvaro)Uribe perante o governo francês e uma burla desalmada àexpectativa dos familiares dos prisioneiros", disseram as Farcem um comunicado divulgado pela Internet. Ingrid Betancourt, de 46 anos e mãe de dois filhos, fazparte de um grupo de 40 reféns sequestrados por motivospolíticos que as Farc buscam trocar com o governo de Uribe por500 rebeldes presos. A guerrilha reiterou a necessidade de o governo retirarsuas Forças Armadas de uma zona de 780 quilômetros quadradospara que seus delegados e os de Uribe se reúnam para negociarum acordo humanitário. "Não atuamos sob chantagens nem sob o impulso de campanhasmidiáticas. Se no começo do ano o presidente Uribe tivessedesocupado Pradera e Florida por 45 dias, tanto IngridBetancourt como os militares e os guerrilheiros presos játeriam recuperado sua liberdade, e seria a vitória de todos",completou o grupo rebelde. Antes de saber do comunicado da guerrilha, o governo daFrança anunciou que manteria sua missão na Colômbia. As Farc também rejeitaram uma recente oferta de Uribe paralibertar guerrilheiros condenados por delitos comoassassinatos, massacres, sequestros e torturas, em troca dasoltura da ex-candidata presidencial e os demais reféns, com acondição de que não voltassem à luta armada e aceitassem viverem outro país que poderia ser a França. "Rejeitamos a qualificação armada do delito político quepretende impedir que os guerrilheiros saiam das prisões. Nãoestamos reclamando a ninguém o status de refugiado", afirmou ogrupo rebelde. (Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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