Haiti anuncia subsídios para conter onda de protestos

Programa deve aumentar produção de arroz e ovos; presidente diz que crise deve ser resolvida por haitianos

Agências internacionais,

10 de abril de 2008 | 10h20

O presidente do Haiti, René Préval, anunciou na quarta-feira, 10, um programa de subsídios para produtos básicos como arroz, leite e ovos para conter a alta dos preços, que motivaram violentos protestos na última semana em que cinco pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.   Veja também: Senadores exigem renúncia do premiê do Haiti Especial sobre a crise de alimentos  Brasil promete enviar 14 toneladas de alimentos ao Haiti O professor Paulo Edgar Almeida Resende opina sobre a crise    O governante ainda ordenou uma redução de 10% do salários de alguns funcionários. Em pronunciamento nacional, Préval pediu calma e o fim de saques de estabelecimentos comerciais. "A situação que o Haiti atravessa é reflexo de uma crise mundial. Estamos pagando as conseqüências das más políticas aplicadas há mais de 20 anos no país", afirmou o presidente. "Há fome nos países pobres, mas também há fome nos países ricos." Préval pediu aos haitianos que parassem com os saques e com a destruição, alegando que esse tipo de comportamento não vai ajudar a resolver os problemas do país. "Ordenei à polícia haitiana e aos soldados da ONU que ponham fim aos saques."   Préval informou que o Ministério da Agricultura iniciou na última semana um projeto para produzir 300 milhões de ovos por ano para tentar reduzir substancialmente a importação do alimento básico. Em relação ao arroz, que o Haiti importa US$ 270 milhões por ano, o presidente afirmou que o país também deverá ampliar a produção nacional em quatro vezes para que esse dinheiro permaneça nas mãos dos camponeses haitianos. "Vamos ajudar para que o arroz tenha melhores preços no mercado, e faremos o mesmo com o leite e outros produtos de consumo diário", afirmou Préval.   O chefe de governo convocou todos os setores para dialogar e buscar soluções para a alta dos preços, e anunciou a disposição da sua administração em construir mais rodovias. "Estes problemas devem ser solucionados por nós, haitianos, por isso peço para que todos contribuam com o país, para que os funcionários reduzam gastos desnecessários e que os cidadãos paguem impostos".   Desde que os distúrbios começaram, na semana passada, a violência deixou 5 mortos e cerca de 40 feridos. Na quarta, numerosos grupos de jovens foram às ruas e bloquearam as passagens com pneus e pedras. Muitas lojas foram saqueadas por manifestantes que levavam paus e armas. Uma emissora de rádio também foi apedrejada, no terceiro ataque contra empresas de comunicação do país nos últimos dias.   Comandados pelo Brasil, os soldados da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), que protegem desde terça-feira o Palácio Nacional - sede da presidência -, lançaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Na terça-feira, os soldados conseguiram impedir que manifestantes ocupassem a sede do governo. O Haiti, que tem 8,5 milhões de habitantes, é o país mais pobre do continente americano, e 80% de sua população vive com menos de US$ 2 por dia.

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