Haiti interroga os dez americanos por 'sequestro' de crianças

Missionários negaram crimes dos quais foram acusados; maioria das 33 crianças não eram órfãs

Reuters,

01 de fevereiro de 2010 | 21h03

Os dez missionários americanos foram acusados por sequestro de crianças. Foto:Ramon Espinosa/AP

 

PORTO PRÍNCIPE - Autoridades haitianas interrogaram nesta segunda-feira, 1º, os dez missionários norte-americanos acusados de tentarem retirar ilegalmente do país caribenho um grupo de crianças.

 

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Um procurador se reuniu com os americanos membros da entidade New Life Children's Refuge (Refúgio de Crianças Nova Vida) nos quartéis centrais da polícia de Porto Príncipe, onde estão detidos desde que foram presos na sexta-feira, quando tentavam atravessar a fronteira com a República Dominicana com um ônibus com 33 crianças, as quais afirmaram terem ficado todas órfãs depois do terremoto de 12 de janeiro.

 

Os missionários batistas negaram todos os crimes dos quais foram acusados no tráfico de menores e insistiram que só queriam ajudar as crianças. O caso poderia tornar-se sensível diplomaticamente em um momento no qual os Estados Unidos está comemorando uma enorme assistência ao Haiti para ajudar a centenas de milhares de pessoas, e associações de caridade norte-americanas estão destinando milhões de dólares em doações.

 

Como parte do plano de assistência, as Forças Armadas dos EUA reestabeleceram os voos de evacuação médica de pacientes gravemente feridos no terremoto, o que pôs um fim a suspensão dos voos devido a uma disputa sobre onde tratar os pacientes, e quem pagaria pelo tratamento.

 

No entanto, o porta-aviões norte-americano USS Carl Vinson e outros dois navios deixaram o Haiti nesta segunda depois cumprirem com sua missão de ajuda.

 

Autoridades haitianas expressaram temores de que o caos provocado pelo terremoto seja utilizado por traficantes de pessoas que se aproveitam de crianças vulneráveis.

 

Funcionários do governo haitiano disseram que os norte-americanos não tinham documentos provando que as crianças eram órfãs, ou que tinham permissão para tirá-los do país.

 

"Temos informação sobre pessoas roubando crianças para os levarem para fora do país, que é a razão pela qual o governo decidiu reforçar a segurança", disse a ministra de Comunicações haitiana, Marie Lassegue.

 

Um juiz local está revisando as provas contra o grupo de cinco homens e cinco mulheres.

 

A ministra acrescentou que é possível que os americanos sejam enviados aos EUA para serem julgados, devido aos danos sofridos pelo sistema judicial do Haiti depois do terremoto.

 

"Dissemos aos americanos de todo o mundo que vocês estão sujeitos a lei do país em que se encontram durante as 24 horas do dia", disse o cônsul geral dos EUA no Haiti, Donald Moore, a jornalistas.

 

Os missionários estavam "sendo processados de acordo com o sistema penal haitiano", acrescentou. Moore também disse que não podia comentar se havia estado em contato com o governo dos Estados Unidos, sobre a possibilidade de transferir o caso ao país.

 

Novas evidências demonstraram que muitos das 33 crianãs interceptadas com os missionários não eram órfãs. A polícia do Haiti reportou que alguns haviam sido entregues voluntariamente por seus pais.

 

Uma mulher que afirma ser mãe de cinco das crianças disse que um pastor local havia atuado como intermediário e havia dito que os pequenos teriam uma vida melhor se fossem com os missionários.

 

Os americanos, que admitiram não ter documentos, aprovações ou passaportes das crianças haitianas, insistiram em que queriam ajudar as crianças, os levando a um orfanato que estavam criando na República Dominicana. Eles negaram qualquer intenção de sequestrar ou traficar o grupo, que inclui desde bebês até crianças de 12 anos.

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