Haitianos fogem em massa de capital destruída por terremoto

Sobreviventes deixam Porto Príncipe a pé e em carros em direção ao interior, menos afetado pelo tremor

Reuters,

16 de janeiro de 2010 | 16h15

Mulher reza por ajuda nas ruas de Porto Príncipe. Foto: Carlos Garcia/Reuters

PORTO PRÍNCIPE - Milhares de haitianos deixaram as ruas de Porto Príncipe neste sábado, 16, em um êxodo em massa da capital, destruída pelo terremoto de terça, que deixou ao menos 40 mil mortos, 250 mil feridos e 1,5 milhão de desabrigados (16% da população do país).

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A dificuldade da chegada da ajuda humanitária, que só começou a melhorar hoje, levou os sobreviventes a buscarem abrigo nas casas de amigos e parentes no interior do país, menos afetado pelo tremor. O epicentro do terremoto foi registrado a apenas 16 km de Porto Príncipe. Outras três cidades próximas da capital foram afetadas:Leogane, Cressier e Carrefour.

Flagelados pela fome, sede, e feridos e sem teto, os haitianos empacotam o que restou a deixam a cidade. Alguns fazem fila em postos de gasolina, com o combustível cada vez mais escasso. Outros partem a pé.

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"Esperei por dois dias, mas nada chegou. Nem uma garrafa de água", disse Yves Manes, que deixava uma das principais vias da capital ao lado da mulher e dos dois filhos. A mulher estava com a perna ferida, protegida por uma blusa ensanguentada. "Daria tudo que me restou para sair daqui".

Haitianos com cidadania de outros países tentam sair pelo aeroporto, parcialmente destruído, comandado agora pelo Exército americano. O Exército dos EUA instalou uma base imigratória provisória para monitorar os passaportes.

O governo haitiano estima que entre 100 mil e 200 mil pessoas morreram no terremoto que atingiu o país mais pobre das Américas. Três quartos da cidade terá de ser reconstruído.

Sem capacidade de responder ao desastre, os EUA, a ONU e outros países e agências humanitárias tentam coordenar a ajuda.

 

 

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