Helicópteros do Brasil vão ao sul da Colômbia receber 2o refém

Dois helicópteros emprestados pelo Brasil para transportar a missão humanitária que receberá na selva um suboficial do Exército colombiano refém das Farc há 12 anos chegarão nesta segunda-feira a uma cidade no sul da Colômbia, na fase de preparação para a aguardada libertação.

REUTERS

29 de março de 2010 | 15h49

As aeronaves partirão de Villavicencio e chegarão a Florencia, capital do departamento de Caquetá, após terem participado no domingo da soltura do soldado Josué Daniel Calvo, que esteve mais de 11 meses nas mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

A missão humanitária formada por delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), da Igreja Católica e a senadora Piedad Córdoba receberá na terça-feira o suboficial Pablo Emilio Moncayo em algum lugar na selva.

"Continuamos trabalhando na coordenação da liberação de amanhã em Florencia. É emocionante ver a alegria da família de Moncayo", disse Córdoba.

Moncayo, um dos reféns há mais tempo nas mãos do grupo rebelde, será o último a ser liberado de forma unilateral pela guerrilha, segundo a senadora.

A política afirmou que a liberação de outros 22 membros das Forças Armadas colombianas que permanecem sequestrados nas selvas da Colômbia só acontecerá através de um acordo de troca por guerrilheiros detidos.

Mas o presidente Álvaro Uribe condicionou um eventual acordo a que os rebeldes que sejam soltos não retornem à luta armada.

As Forças Militares suspenderão todas as operações durante 36 horas a partir das 18h (20h de Brasília) desta segunda-feira para facilitar a missão humanitária e em cumprimento a um protocolo de segurança firmado pelo governo e a Cruz Vermelha Internacional por exigência da guerrilha.

Apesar das solturas de Calvo e Moncayo, as Farc adiaram a entrega do corpo do policial Julián Ernesto Guevara, que morreu no cativeiro.

O grupo guerrilheiro, considerado uma organização terrorista pelos EUA e a União Europeia, assegurou que as operações militares impedem a devolução do corpo, mas o governo suspeita que as Farc não estejam com ele em mãos.

As Farc anunciaram em abril do ano passado a entrega dos reféns, que não foi realizada pela exigência de Uribe de que fossem soltos simultaneamente todos os efetivos das Forças Armadas que estão em seu poder.

O presidente denunciou uma estratégia dos rebeldes de tentar ganhar protagonismo e limpar sua imagem na comunidade internacional de crime e tráfico de drogas com as libertações unilaterais.

Mas Uribe depois aceitou as libertações graduais, e autorizou a senadora Córdoba, junto com a Igreja Católica e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a formar uma missão humanitária.

(Reportagem de Nelson Bocanegra)

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