Helicópteros iniciam missão de busca de reféns das Farc

Helicópteros daVenezuela partiram nesta quinta-feira para uma região de matafechada da Colômbia para receber duas políticas sequestradaspela guerrilha Farc, numa delicada operação que contou com asuspensão das operações militares na área de entrega dasreféns. O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos,informou que a paralisação das ações das Forças Armadas,prevista inicialmente para durar 12 horas, começou às 6h (9h emBrasília). A suspensão visa a permitir que as Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc) cumpram a promessa delibertar Consuelo González e Clara Rojas, em uma missãoliderada pela Venezuela que, se concluída com sucesso, setransformaria na primeira libertação de reféns de destaque porparte da guerrilha nos últimos anos. Os dois helicópteros venezuelanos com marcações do ComitêInternacional da Cruz Vermelha chegaram por volta das 8h20(11h20) ao aeroporto da cidade de San José del Guaviare, nosudeste da Colômbia, e partiram a um ponto da selva a fim debuscar as reféns, sequestradas há cerca de seis anos. "As condições climáticas estão boas e esperamos que amissão se complete", disse à Reuters Yves Heller, porta-voz daCruz Vermelha na Colômbia. A área onde as reféns devem ser libertadas é dominadapor matas e plantações de folha de coca, a matéria-prima dacocaína, com uma grande presença de membros das Farc. O localtambém é cenário de muitas ações das Forças Armadas e dapolícia colombianas no combate à guerrilha e ao narcotráfico. A missão envolvendo a libertação das reféns foi autorizadana quarta-feira depois de a guerrilha ter repassado aopresidente da Venezuela, Hugo Chávez, as coordenadas do localonde entregaria as duas. Na semana passada, havia fracassadouma missão do mesmo tipo. SEGUNDA MISSÃO DA VENEZUELA A missão anterior suspendeu-se porque as Farc demorarampara informar as coordenadas do local do encontro e porque nãotinham em seu poder o menino Emmanuel, filho que Rojas teve nocativeiro e que, na metade de dezembro, o grupo tinha prometidolibertar. Emmanuel é fruto da relação de Rojas com umguerrilheiro. As Farc, que viram sua credibilidade abalada por não teremconseguido cumprir a promessa feita junto a Chávez, admitiramdepois que o menino de 3 anos de idade está sob a custódia doserviço social da Colômbia desde 2005. O fato de a guerrilha ter faltado com a palavra significouum golpe para Chávez; mas a libertação das reféns, caso ocorrade fato, promete melhorar a imagem dele. O dirigente sofreu umabalo um dezembro quando viu derrotado um plebiscito no qualbuscava aprofundar o socialismo na Venezuela. As Farc falaram em entregar as reféns como um gesto de boavontade em relação a Chávez depois de o mandatário venezuelanohaver sido afastado, pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe,das mediações com a guerrilha com vistas a libertar um total de47 pessoas. "A libertação representa um tributo tardio das Farc aopresidente Chávez devido aos esforços humanitários e políticosdele e devido a todo o reconhecimento internacional com quecontou", disse o analista de política Vicente Torrijos. "Apesar de as Farc não conseguirem, com esse gesto,recuperarem-se dos graves erros cometidos no passado, melhoramsua margem de manobra política", afirmou. Independentemente da postura intransigente adotada pelogoverno colombiano e pelas Farc com vistas a um acordo parapermitir a troca de 40 reféns por 500 guerrilheiros presos, alibertação de González e de Rojas representa um sopro deesperança nos esforços para permitir manobras do tipo emrelação a outras pessoas, como a ex-candidata à Presidência daColômbia Ingrid Betancourt. (Texto de Luis Jaime Acosta, com reportagem de DeisyBuitrago em Caracas)

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